Filho de 'El Chapo' é detido em megaoperação no México

As autoridades mexicanas detiveram, nesta quinta-feira (5), Ovidio Guzmán, filho do chefão do narcotráfico Joaquín 'El Chapo' Guzmán, durante uma operação na cidade de Culiacán (noroeste) que envolveu tiroteios intensos e resultou em muitos veículos incendiados.

Ovidio foi capturado pelo Exército e pela Guarda Nacional do México sob as acusações de liderar a "facção Los Menores, ligada ao Cartel do Pacífico" e é "filho de Joaquín Guzmán Loera [El Chapo]", que cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos, declarou aos jornalistas o secretário da Defesa, Luis Cresencio Sandoval.

A prisão acontece quatro dias antes da chegada ao México do presidente americano, Joe Biden, cujo país oferecia 5 milhões de dólares pela captura do filho de El Chapo, conhecido como 'El Ratón'.

Biden vai ao México para participar da Cúpula de Líderes da América do Norte, com reuniões previstas na segunda e na terça-feira na capital, para onde Ovidio foi transferido em um avião da Força Aérea.

A captura do narcotraficante de 32 anos provocou intensos tiroteios entre criminosos e efetivos das forças de segurança em diversos pontos de Culiacán, capital do estado de Sinaloa, segundo um colaborador da AFP. Além disso, muitos veículos foram incendiados.

A troca de tiros chegou, inclusive, ao aeroporto internacional de Culiacán, onde um avião de passageiros foi atingido por um projétil pouco antes de decolar, sem que houvesse registro de feridos, informou a companhia Aeroméxico. Devido aos incidentes, as operações no terminal aéreo foram suspensas.

Também foram registrados incidentes em uma penitenciária onde estão reclusos vários narcotraficantes.

O Cartel de Sinaloa - também conhecido como Cartel do Pacífico - é considerado pela agência antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, como o principal responsável pelo tráfico de fentanil, droga 50 vezes mais potente que a heroína e que tem sido responsável por inúmeras mortes de overdose no país.

Ovidio já havia sido detido em 17 de outubro de 2019 em Culiacán, mas foi libertado por ordem do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, em meio ao caos provocado pela organização criminosa após sua captura.

- Cidade sitiada -

Na época, López Obrador defendeu sua decisão, afirmando que um banho de sangue tinha sido evitado, pois contingentes militares estavam cercados por civis com armas de grosso calibre.

Muitos veículos de carga e carros foram incendiados nesta quinta-feira em Culiacán, cidade com cerca de 800.000 habitantes e onde foi possível testemunhar cenas de pânico, com muitas pessoas buscando um lugar para se proteger.

Segundo o secretário de Defesa, foram registrados um total de 19 bloqueios em diferentes partes da cidade.

O governador de Sinaloa, Rubén Rocha, disse mais cedo que a operação das Forças Armadas se concentrava na área de Jesús María, no município de Culiacán.

"[A operação] deu lugar a alguns eventos violentos na capital e em outros lugares do estado", tuitou.

Por causa desses incidentes, as autoridades suspenderam as aulas em instituições educacionais e um jogo do campeonato mexicano de futebol.

A violência em Culiacán acontece em paralelo a operações em Ciudad de Juárez (norte, fronteiriça com os Estados Unidos), nas quais foi abatido Ernesto Piñón, conhecido como 'El Neto', que havia fugido junto com outros 24 detentos de uma prisão nessa cidade no domingo.

Pelo menos 26 pessoas morreram durante o ataque à penitenciária para resgatar Piñón e as operações para recapturar os fugitivos: dez guardas penitenciários, sete presos, dois policiais e sete supostos pistoleiros.

'El Neto' liderava uma quadrilha associada a um cartel do narcotráfico.

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