Filho de entregador de farmácia nasce no dia em que o pai é achado morto

Carolina Heringer e Marcos Nunes
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Foto: Reprodução de vídeo / Agência O Globo

No dia em que o entregador Douglas de Oliveira Figueiredo, de 20 anos, foi encontrado morto, nasceu seu segundo filho. Desaparecido desde sexta-feira, o funcionário de uma rede de farmácias estava dentro de um rio nas proximidades da Avenida Brasil, na altura da Fazenda Botafogo, na Zona Norte do Rio. Foram parentes do jovem que, durante buscas realizadas por conta própria, localizaram o corpo, ontem pela manhã. Ele também deixa um menino de 2 anos.

Douglas foi filmado enquanto era agredido por um bandido. O entregador desapareceu pouco depois de sair do estabelecimento onde trabalhava para levar uma encomenda a um cliente em Coelho Neto. No vídeo, o bandido bate com uma pistola na cabeça do jovem e o ameaça, apontando a arma para ele.

A família de Douglas, que, na gravação, aparece com sangue escorrendo pelo pescoço, suspeita que ele foi capturado por traficantes da comunidade Proença Rosa, que o teriam confundido com um integrante de uma quadrilha rival. Durante a filmagem, um criminoso pergunta o que entregador ia fazer na “Guaxa”, referindo-se à Rua Guaxindiba, endereço do cliente da farmácia e onde há uma boca de fumo.

Douglas responde que “daria um bote”, ou seja, que atacaria o local. O criminoso, então, retruca, perguntando se o rapaz achava que os traficantes estariam “panguando”, o que, na gíria das comunidades, significa ficar desatento. O jovem responde que não.

Para investigadores e parentes do entregador, está claro que ele foi obrigado a dizer que “daria um bote”. Segundo a Polícia Civil, foi constatado que o rapaz trabalhava e tinha ficha limpa.

Investigadores não descartam a hipótese de Douglas ter sido morto apenas porque morava na Favela de Acari, onde atuam traficantes rivais da quadrilha da Proença Rosa.