Filho de garimpeiro que movimentou R$ 200 mi é preso após queda de helicóptero

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal em Roraima aceitou pedido da Polícia Federal e ordenou a prisão de Celso Rodrigo de Mello, filho do garimpeiro Rodrigo de Mello.

Conhecido como Rodrigo Cataratas, o garimpeiro é alvo de investigações em que é apontado como líder de um grupo suspeito de movimentar R$ 200 milhões em dois anos, sendo parte dos valores proveniente da extração ilegal de ouro na terra indígena yanomami.

No pedido de prisão, a PF aponta para novas transações suspeitas descobertas pelos investigadores e para um acidente envolvendo um helicóptero do grupo que resultou na morte de duas pessoas. A ordem de prisão contra Mello foi cumprida no sábado (5).

A aeronave envolvida no acidente era uma das que estavam na mira da PF por ser utilizada para o transporte de pessoas e de ouro extraído da reserva indígena.

"É importante destacar que o acidente aéreo ora noticiado não se trata de fato a ser isoladamente considerado, devendo ser visualizado no contexto da investigação produzida nos autos do inquérito policial, no qual há prova suficiente de autoria e materialidade a indicar a prática de crimes potencialmente atribuíveis aos requeridos", diz trecho da manifestação em que o Ministério Público Federal concorda com o pedido de prisão de Mello.

A aeronave envolvida no acidente chegou a ser apreendida em 2021 pela PF, mas foi devolvida em janeiro de 2022 ao grupo de Rodrigo Cataratas por ordem da juíza federal Maria do Carmo Cardoso, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).

Após a devolução, o grupo, segundo a PF, voltou a utilizar a aeronave mesmo com o certificado de aeronavegabilidade cancelado e, em julho, houve o acidente que resultou na morte de duas pessoas.

Um dos mortos, Agnaldo Pereira da Costa, já era investigado pela PF por supostamente atuar como piloto do grupo no transporte irregular de ouro.

A PF chegou até Costa após encontrar trocas de mensagens e transferências bancárias com integrantes do grupo investigado.

No caso do filho de Rodrigo Cataratas, a PF também identificou o recebimento de cerca de R$ 1,2 milhão repassados pelo pai.

Uma das suspeitas dos investigadores é que os valores podem ter sido utilizados na compra do helicóptero que posteriormente se envolveu no acidentes com duas vítimas fatais.

O grupo liderado por Cataratas é dono de empreendimentos que receberam recursos do governo federal, principalmente para o transporte aéreo relacionado à saúde indígena, como a Folha revelou em setembro de 2021.

Duas empresas de Mello, a Cataratas Poços Artesianos e a Icaraí Turismo Táxi Aéreo, receberam R$ 39,5 milhões da União desde 2014, sendo a maior fatia -R$ 23,5 milhões à Icaraí- no governo Bolsonaro.

A sede da Cataratas em Boa Vista já foi alvo de ação de apreensão de helicópteros, feita em conjunto por PF, Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Mello é suspeito de comandar operação logística que garante a exploração ilegal de minérios na terra yanomami, principalmente ouro e cassiterita. Em outubro de 2021, ele foi alvo da primeira fase da operação Urihi Wapopë, que investiga o garimpo ilegal no território indígena.

Em manifestação encaminhada à Justiça, a defesa de Mello afirmou que o preso "possui salvo-conduto" concedido pelo TRF-1 e afirma que o delegado do caso cometeu ilegalidades para retalhar o filho do garimpeiro.

A defesa pede que o investigador se considere suspeito para atuar no caso. "Tudo isso afronta não apenas os investigados, mas a própria legislação, o que possivelmente ocasionará a nulidade do inquérito policial", diz trecho da manifestação.

Em texto enviado a conhecidos, Rodrigo Cataratas também citou o salvo-conduto e afirmou que a investigação da PF é uma "forma de perseguir a família" dele.