Filho de Raúl Castro, o negociador secreto de Cuba com os EUA

O coronel Alejandro Castro Espín, filho do presidente Raúl Castro, em 28 de novembro de 2016

O coronel Alejandro Castro Espín, filho do presidente Raúl Castro, representou Cuba nas negociações secretas que levaram ao histórico degelo das relações com os Estados Unidos em dezembro de 2014, revelou uma autoridade da Igreja católica cubana.

Castro Espín, de 51 anos, é uma figura poderosa do governo, mas quase desconhecido em Cuba. A revelação do seu papel na aproximação com os Estados Unidos reforça a sua imagem num momento em que Raúl Castro se prepara para deixar a presidência do país, em fevereiro de 2018.

O oficial liderou o diálogo secreto com os Estados Unidos, realizado em 2013 e 2014, e o seu interlocutor foi Ricardo Zúñiga, conselheiro do presidente Barack Obama para a América Latina, revelou o cardeal cubano Jaime Ortega.

O então arcebispo de Havana atuou como um emissário do papa Francisco junto aos dois líderes que enterraram mais de meio século de hostilidades desde a Guerra Fria.

Uma vez concluído o seu trabalho como facilitador do diálogo, Ortega assegurou que "as negociações continuaram no Canadá com Ricardo Zúñiga à frente da delegação americana e o coronel Alejandro Castro Espín como chefe da delegação cubana".

Ortega fez esta revelação em uma conferência em Nova York, cujo texto foi publicado em Havana pela revista católica Espacio Laical.

O governo de Raúl Castro nunca revelou oficialmente quem foi seu negociador na aproximação com os Estados Unidos.

No entanto, Castro Espín participou do primeiro encontro entre Raúl Castro e Obama no âmbito da Cúpula das Américas no Panamá em 2015, como chefe da Comissão Nacional de Segurança e Defesa.

Especialista em relações internacionais e autor de livros sobre o assunto, único filho homem de Raúl Castro raramente aparece em público, e quando isso acontece é geralmente na companhia de seu pai.

O cardeal Ortega fez outra revelação. Os Estados Unidos e Cuba escolheram o dia 17 de dezembro de 2014 para anunciar ao mundo sua decisão de restabelecer as relações diplomáticas por ser o aniversário do papa Francisco.

Após a chegada de Donald Trump na Casa Branca, as relações entre os dois países entraram em um período de incerteza.