Filho de Roberto Carlos vítima de câncer, Dudu Braga trocou o surfe pela bateria quando perdeu totalmente a visão

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Músico, radialista e palestrante. Assim Roberto Carlos Segundo, o Dudu Braga, se apresentava nos últimos anos. O filho do Rei Roberto Carlos, que morreu nesta quarta-feira (8) em decorrência de um câncer no peritônio, aos 52 anos, também já tinha atuado como produtor musical, comerciante, publicitário e surfista. Em entrevista ao EXTRA em agosto de 2018, ele contou que deixou sua maior paixão no esporte quando perdeu totalmente a visão, aos 24.

— Eu fui surfista durante dez anos, quando enxergava. Foi o esporte da minha vida. E a gente quando é moleque busca uma autoafirmação de masculinidade. O surfe tinha esse papel pra mim. Cego, eu tive que parar de surfar e transferi esse prazer para a bateria — disse ele, que passou por 14 cirurgias ao longo da infância, adolescência e juventude, para tentar reverter o glaucoma congênito.

Dudu aprendeu a toca o instrumento ainda criança, aos 9 anos, influenciado pela carreira do pai famoso.

— Minha paixão por bateria começou por causa do meu pai. Eu ia nos shows e ficava no backstage observando Dedé (Dedé Marquez, percussionista), que toca com meu pai há mais de 60 anos. Ele foi meu mestre. Eu era muito pequenininho, mas ele deixava eu sentar ali no banquinho. Depois ele foi para a percussão e o Lourival assumiu a batera. Ele também sempre muito legal comigo durante as passagens de som antes dos shows — recordou.

Dudu integrava a banda RC na Veia, que gravou um DVD homônimo, com clássicos do Rei em versão rock and roll e a participação especial do próprio, há três anos.

— Convidar meu pai para participar do DVD foi uma merda pra mim, num português bem claro. Eu fiquei num conflito! Queria muito que ele topasse, mas não por eu ser filho dele, e sim pela questão profissional em si. Temos um respeito mútuo, e eu não pretendia colocá-lo numa situação constrangedora, de não poder me dizer “não” — lembrou Dudu: — Quando liguei para fazer o convite, disse que ele podia ficar absolutamente à vontade para negar, porque eu, mais do que ninguém, sei o quanto ele preza por sua carreira e suas escolhas.

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O músico costumava se apresentar com sua banda em eventos de inclusão da pessoa com deficiência e era voluntário em instituições.

— Mostrar um baterista cego é muito legal, porque geralmente a gente conhece cegos ou como pianista ou tocando violão. Na batera, é mais raro. Quebra de preconceito acontece a partir da informação — disse Dudu, que morava em São Paulo mas era um fã da folia carioca: — Toquei caixa na bateria da Beija-Flor, duas ou três vezes, com o mestre Paulinho. Carnaval é comigo mesmo, adoro!

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