Filho de Rosane Gofman encena dilemas como pai: ‘Rotina bizarra e engraçada’

Naiara Andrade
Yuri com os três filhos: a arte inspirada na própria história

“Focado em sua carreira de ator, Igor perde o emprego repentinamente e se apaixona por uma mãe solteira, com quem tem mais dois filhos, passando a cuidar exclusivamente de sua família e da casa, enquanto sua mulher trabalha o dia todo. Tudo isso em apenas três anos, situação que ele chama de ‘Família Miojo’”. Quaisquer semelhanças entre o personagem da peça “Pai na real” e seu intérprete, Yuri Gofman, não são meras coincidências. Foi inspirado em sua própria história que o ator de 37 anos montou o espetáculo, que estreia hoje, às 20h, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, Zona Sul do Rio, e amanhã, também às 20h, no Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, na Zona Oeste.

 

— Não é exatamente uma biografia. Tem um tanto de ficção, exageros e conflitos dramatúrgicos. Mas o texto fala muito de mim e da minha rotina atribulada nos últimos tempos — afirma o protagonista solo, filho da atriz Rosane Gofman (a Ellen de “A dona do pedaço”), que é diretora de produção e supervisora da montagem: — Minha mãe acreditou no projetou e tirou dinheiro do próprio bolso para bancá-lo. Não dava para esperar incentivo de fora, eu tinha que mostrar logo essa minha situação tão peculiar.

 

Yuri conta que nunca sonhou ser pai e ganhou dois filhos de uma só vez, quando se apaixonou pela executiva de vendas Renata Scatena, de 36 anos, que já tinha uma filha, Maria Júlia, então com 7, de um relacionamento anterior.

— Logo na nossa primeira vez, ela engravidou do Miguel, hoje com 2 anos e 8 meses. Foi tão inesperado, que ela quis fazer um exame de DNA para comprovar que eu era o pai, sem eu pedir nada (risos) — relata ele, que celebrou a chegada do terceiro filho, Pedro, há apenas dois meses: — Eu me tornei pai sem planejar. Tive ataques de pânico ao inverter os papéis com minha mulher e ter que ficar em casa cuidando de três crianças com demandas diferentes, num cotidiano caótico. Aprendi a ser pai sendo. E percebi que essa loucura toda rendia um espetáculo cheio de humor e emoção. É uma rotina tão bizarra quanto engraçada!

O solo “Pai na real” aborda a paternidade em seus variados universos, retratando não só os pais homens como também todo ser humano que cuida e ama outro de maneira incondicional.

— Ao refletir sobre a minha própria experiência como pai, consegui esclarecer muito da minha relação com o meu próprio genitor (o músico Wilson Meireles, de 74 anos). Ele sempre foi o provedor, mas nunca se mostrou tão amoroso. Convivi mais com o meu padrasto do que com ele, que, apesar de ser uma pessoa adorável, vive no mundo da lua. Eu tinha raiva dele por essa distância, mas percebi que a culpa também era minha. O chamei para uma conversa e superei tudo de ruim que eu sentia — revela o ator.

SERVIÇO

Teatro Clara Nunes (Shopping da Gávea): Rua Marquês de São Vicente 52, Gávea – 2274-9696. Dias: 14, 21 e 28 de novembro, às 20h. R$ 80. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 12 anos.

Teatro Arthur Azevedo: Rua Vítor Alves 454, Campo Grande. Dias: 15 a 24 de novembro de 2019. Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h. R$ 15. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 12 anos.