Filho de Sérgio Cabral e Adilsinho, alvos de operação da PF, se conheceram durante organização de festa no Copacabana Palace

José Eduardo Neves Cabral, filho do ex-governador Sergio Cabral, é suspeito de atuar como operador financeiro de Adilson Coutinho Oliveira Filho, o Adilsinho, apontado como chefe de uma organização criminosa dedicada à venda ilegal de cigarros. A relação entre Zé Cabral, como era chamado pelos integrantes da quadrilha, e Adilsinho começou em maio de 2021, quando a empresa de eventos do filho de Cabral, a ZC Entretenimento, foi contratada para promover uma festa milionária de Adilsinho no hotel Copacabana Palace.

Deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), a Operação Smoke Free apurou que, desde a festa no Copa, avaliada em R$ 3 milhões, Zé Cabral passou a atender Adilsinho em operações financeiras, que incluíam o pagamento de seguranças e movimentação de dinheiro em bancos. A organização se valia da legalidade dos negócios de Zé Cabral para a lavagem de dinheiro.

O evento no Copa, marcado por episódios de ostentação e excentricidade, reuniu cerca de 500 convidados em plena pandemia do coronavírus. No vídeo-convite, que vazou nas redes sociais na ocasião, três homens apareciam fumando charutos e bebendo em um hotel luxuoso, tendo como música de fundo a trilha sonora do filme “O poderoso chefão”. A festa teve shows de Gusttavo Lima, Ludmilla, Alexandre Pires e Mumuzinho.

Aberta em abril de 2019, a ZC Entretenimento é uma microempresa com capital social de mil reais. Sua atividade principal, conforme a Receita Federal, é de serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas.

A operação desta quarta é o desdobramento de uma investigação iniciada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro. O esquema, basicamente, consistia em obrigar comércios localizados em áreas dominadas por milícias a vender cigarros da marca Clube One, fabricado pela Companhia Sulamericana de Tabacos, na Baixada Fluminense.

A investigação migrou para o âmbito federal depois que as autoridades apuraram que os cigarros eram vendidos por preços a’baixo do valor de mercado em decorrência da sonegação de impostos, como o IPI. Além da fraude, a competência foi estabelecida porque um agente da PF prestava segurança para a quadrilha e o inquérito constatou ainda a evasão de dinheiro da organização para paraísos fiscais no Caribe.

Adilsinho não foi preso porque viajou para os Estados Unidos há dez dias e é considerado foragido. Cerca de 40 equipes foram para endereços na capital e na Baixada Fluminense, a fim de cumprir 27 mandados de prisão.

Ao GLOBO, o advogado Rafael Kullmann, que representa José Eduardo Cabral, informou que não pode se manifestar sobre o mandado de prisão pois ainda não teve acesso ao processo. Já o advogado Ricardo Braga, que defende Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, informou que seu cliente nega envolvimento com o comércio ilegal de cigarros e com todos os demais delitos a ele imputados e aguarda a liberação do acesso aos autos para se manifestar sobre a operação da Polícia Federal.