Filho de Sérgio Cabral fazia pagamentos a seguranças e PMs para transportarem dinheiro ilegal, segundo a PF

Preso preventivamente por gerenciar uma organização criminosa especializada no comércio ilegal de cigarros, José Eduardo Neves Cabral é apontado como o responsável por realizar pagamentos a seguranças e policiais militares para transportarem valores provenientes da atividade ilícita. De acordo com as investigações da Polícia Federal, o filho do ex-governador Sérgio Cabral, teria ingressado na quadrilha a partir da Operação Fumus, quando passou a transmitir ordens de Adilson Coutinho de Oliveira Filho, o Adilsinho, que está foragido e é apontado como chefe da quadrilha.

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Segundo a representação por medida cautelar de prisão preventiva, busca e apreensão e sequestro de bens da PF, ao qual O GLOBO teve acesso com exclusividade, desde 2019, José Eduardo teria pago propina a funcionários públicos e emitido notas fiscais falsas, em quantidade inferior à efetivamente vendida. O empresário teria ainda deixado de recolher o tributo incidente e cobrado sobre a fabricação e comercialização de cigarros e determinado ao escalão de segurança extorquir, ameaçar e constranger comerciantes a vender a mercadoria.

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“Observa-se, assim, que Zé Cabral é responsável por pagar seguranças e policiais militares vantagem pecuniária (propina) para que promovam o recolhimento, transporte e guarda escondida de valores em espécie provenientes de infração penal, com o intuito de ocultar e dissimular a movimentação, propriedade, natureza, origem e disposição das quantias ilegalmente auferidas; e para que não efetuem prisão e apreensão que possam prejudicar a malta e a vazarem informações sigilosas de interesse do bando”, diz um trecho do documento.

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Ainda de acordo com a Polícia Federal, José Eduardo teria determinado a membros do bando promover a ocultação e dissimulação de valores provenientes de toda atividade criminosa; ordenado o recolhimento, transporte, repasse e depósitos dos valores ilicitamente auferidos; teria promovido a ocultação e dissimulação de valores provenientes de toda atividade criminosa. O filho de Sérgio Cabral também teria reinserido o valor proveniente do ilícito nas atividades desenvolvidas pela malta; ordenado a pessoas especializadas e interpostas a realizar a remessa de valores ao exterior em desacordo com os preceitos legais; realizado remessa de valores ao exterior em desacordo com os preceitos legais; retransmitido todas as ordens dos líderes; teria feito pagamentos aos demais membros da malta; cumprido ordem da liderança.

Na Operação Smoke Free, deflagrada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal na última quarta-feira, 300 policiais foram às ruas cumprir 27 mandados de prisão preventiva e 50 de busca e apreensão. Até o momento, 14 pessoas foram presas. Nesta manhã, a juíza Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou que José Cabral seja encaminhado ao Batalhão Especial Prisional (BEP), onde também está o ex-governador Sérgio Cabral.

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Segundo o inquérito, o grupo criminoso reiteradamente, entre 2019 a 2022, com falsificação ou não emissão de notas fiscais, depositava, transportava e comercializava cigarros oriundos de crime em territórios dominados por outras organizações criminosas, como o tráfico e a milícia. Em consequência, efetuava a lavagem dos recursos obtidos ilicitamente e remetia altas cifras ao exterior de forma irregular, entre outros ilícitos cometidos.

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A organização criminosa contaria com uma célula de serviço paralelo de segurança, coordenado pelo agente federal Allan Cardoso Inácio de Assis e integrado por policiais militares e bombeiros, que também atuavam para atender aos interesses espúrios da quadrilha. O grupo econômico que suporta a organização criminosa investigada é devedor contumaz da União e possui débito tributário de aproximadamente R$ 2 bilhões, de acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

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Os investigados podem responder pela prática de crimes de sonegação fiscal, duplicata simulada, receptação qualificada, corrupção ativa e passiva, lavagem de capital e evasão de divisas. Se condenados, podem sofrer penas privativas de liberdade que, se somadas, alcançam o patamar de 66 anos de reclusão.