Filho de Sérgio Cabral se apresenta na sede da Polícia Federal

Uma das 27 pessoas que tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça Federal, nesta quarta-feira, durante a deflagração da Operação Smoke Free, José Eduardo Neves Cabral, filho do ex-governador Sergio Cabral, se apresentou, nesta quinta-feira, na sede da Polícia Federal, na Praça Mauá.. Um dos principais alvos da operação , José Eduardo é suspeito de atuar como operador financeiro de Adilson Coutinho Oliveira Filho, o Adilsinho, apontado nas investigações como chefe de uma organização criminosa dedicada à venda ilegal de cigarros.

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Segundo Rafael Kullmann, advogado de José Eduardo Neves Cabral, seu cliente se apresentou espontaneamente às autoridades, "seguro de que sua inocência será provada no decorrer do processo". José Eduardo já está no Presídio José Frederico Marques, em Benfica. A unidade serve como porta de entrada do sistema penitenciário.

A relação entre Zé Cabral, como era chamado pelos integrantes da quadrilha, e Adilsinho começou em maio de 2021, quando a empresa de eventos do filho de Cabral, a ZC Entretenimento, foi contratada para promover uma festa milionária de Adilsinho no Hotel Copacabana Palace. Adilsinho não foi preso porque viajou para os Estados Unidos há dez dias. Ele é considerado foragido.

A operação realizada na última quarta-feira foi um desdobramento de uma investigação iniciada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro. O esquema, basicamente, consistia em obrigar comércios localizados em áreas dominadas por milícias a vender cigarros da marca Clube One, fabricado pela Companhia Sulamericana de Tabacos, na Baixada Fluminense. De acordo com a Polícia Federal, foram apreendidos na ação, entre outros, R$ 400 mil em dinheiro, milhares de cigarros clandestinos, joias, celulares e veículos de luxo.

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A investigação migrou para o âmbito federal depois que as autoridades apuraram que os cigarros eram vendidos por preços abaixo do valor de mercado em razão da sonegação de impostos, como o IPI. Além da fraude, a competência foi estabelecida porque um agente da Polícia Federal prestava segurança para a quadrilha e o inquérito constatou ainda a evasão de dinheiro para paraísos fiscais no Caribe.

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A investigação apurou que, desde a festa no Copa, avaliada em R$ 3 milhões, Zé Cabral passou a atender Adilsinho em operações financeiras, que incluíam o pagamento de seguranças e movimentação de dinheiro em bancos. A organização se valia da legalidade dos negócios de Zé Cabral para a lavagem de dinheiro.

Aberta em abril de 2019, a ZC Entretenimento é uma microempresa com capital social de mil reais. Sua atividade principal, segundo a Receita Federal, é de serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas.