Paquistão respalda oferta de paz do presidente afegão aos talibãs

Cabul, 6 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Paquistão, Shahid Khaqan Abbasi, avaliou nesta sexta-feira positivamente durante uma visita oficial ao Afeganistão a oferta de paz do presidente afegão, Ashraf Ghani, aos talibãs e ofereceu todo seu apoio para facilitar o processo.

Abbasi, que chegou na manhã de hoje a Cabul e permanecerá no país menos de 24 horas, afirmou a Ghani que recebeu positivamente sua oferta de diálogo aos talibãs feita no último dia 28 de fevereiro, segundo um comunicado do palácio presidencial afegão.

O primeiro-ministro ressaltou que "a única solução" para conseguir a paz é um processo de negociação liderado pelos afegãos e ofereceu todo o apoio do Paquistão para conseguir que ambas as partes cheguem a um acordo, segundo a nota.

Na reunião, os dois líderes também discutiram como avançar no Plano de Ação do Afeganistão e o Paquistão pela Paz e a Solidariedade (APAPPS), um sistema bilateral de cooperação lançado oficialmente em fevereiro, além da criação de um roteiro para a repatriação dos refugiados afegãos do país vizinho.

No dia 28 de fevereiro, Ghani ofereceu aos talibãs um diálogo de paz "sem precondições", assim como prerrogativas que incluíam o reconhecimento político dos talibãs, a libertação de prisioneiros e a retirada de sanções.

Os talibãs, que dias antes tinham declarado sua predisposição a negociar com os americanos, ainda não responderam formalmente a essa proposta.

No mês passado, Ghani tinha oferecido a Abbasi um diálogo bilateral "amplo" como parte dos seus esforços para pôr fim ao conflito afegão.

Washington e Cabul denunciaram durante anos que a rede Haqqani, uma das principais facções dos talibãs, se refugia em território paquistanês, algo que Islamabad negou reiteradamente.

Os Estados Unidos suspenderam em 4 de janeiro o programa de Fundos de Apoio à Coalizão no Paquistão, que chega a US$ 900 milhões, até que sejam adotadas "medidas decisivas" contra grupos como o Haqqani, depois que o presidente americano, Donald Trump, acusou Islamabad de "dar refúgio a terroristas".

O Paquistão acolheu em 2015 a única reunião oficial até o momento entre o governo de Cabul e os talibãs, um processo que ficou suspenso dias depois, com a morte do fundador do movimento insurgente, o mulá Omar. EFE