Filhos de Carlos Ghosn denunciam um sistema judiciário japonês 'cruel'

(Março de 2019) Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault-Nissan, em Tóquio, após sua primeira saída em liberdade condiciona

Os filhos de Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault-Nissan preso há um ano no Japão, denunciaram nesta terça-feira um sistema judiciário "cruel" e "injusto" e exigiram um julgamento "justo" para o seu pai.

O ex-presidente da aliança Renault-Nissan foi preso em 19 de novembro de 2018 quando desembarcou em Tóquio. Libertado sob fiança após 130 dias de detenção e colocado em prisão domiciliar, enfrenta quatro acusações no país.

"Se nos expressamos neste triste aniversário é para chamar a atenção para um sistema judiciário japonês cruel e injusto, que trata mais duramente aqueles que não têm nacionalidade japonesa", escreveram seus quatro filhos, Anthony, Maya, Nadine e Caroline Ghosn em uma coluna publicada no site da rádio pública Franceinfo.

Tendo crescido no Japão, dizem que descobriram o "lado sombrio" do país que, segundo eles, submete seu pai "a tratamentos abomináveis".

"As autoridades japonesas o detiveram mantendo-o em isolamento total por 129 dias, enquanto os promotores japoneses o interrogaram dia e noite, sem parar, por horas".

Os filhos de Carlos Ghosn alegam a inocência de seu pai, vítima a seus olhos de uma "guerra econômica".

Os documentos enviados por Ghiosn ao Tribunal "indicam em particular que os promotores, executivos da Nissan e autoridades do governo japonês fabricaram todas as peças desse processo penal para expulsar nosso pai de seu posto, por medo de que a aliança entre a Nissan e a Renault ameaçasse a independência da Nissan", denunciaram.

"Cada um de nós tenta entender como um país tão desenvolvido quanto o Japão pode permitir que os direitos humanos - que deveriam beneficiar nosso pai - sejam desprezados", lamentaram, pedindo um julgamento "justo".

"Se este julgamento acontecer, rezamos para que seja justo, para que nosso pai tenha chance de provar sua inocência e recuperar sua liberdade", acrescentam os filhos de Carlos Ghosn, pedindo às autoridades japonesas "o fim da proibição que o impede de entrar em contato com sua esposa" Carole.

Ghosn recebeu quatro acusações: duas por não reportar às autoridades do mercado financeiro remunerações e duas por quebra de confiança com agravante. Ele pode ser condenado a até 15 anos de prisão.