Filhos da ex-presidente da Nicarágua são acusados de corrupção

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O presidente nicaraguense Daniel Ortega durante o 41º aniversário da Revolução Sandinista em Manágua, em 19 de julho de 2020, em foto divulgada pela assessoria de imprensa da Presidência da Nicarágua

Três filhos da ex-presidente da Nicarágua Violeta Barrios de Chamorro foram acusados nesta terça-feira (24) de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito das investigações contra opositores do governo de Daniel Ortega, informou uma fonte oficial nesta terça-feira (24).

Os filhos da ex-presidente são o jornalista Carlos Fernando Chamorro, exilado na Costa Rica desde junho; a ex-candidata presidencial Cristiana Chamorro, em prisão domiciliar desde 2 de junho; e o político Pedro Joaquín Chamorro, detido em 25 de junho, informou o Ministério Público em nota.

No caso de Cristiana Chamorro, que despontava como forte rival para enfrentar o partido no poder nas eleições de 7 de novembro, ela havia sido acusada em junho de "gestão abusiva, falsidade ideológica e crime de lavagem de dinheiro". Nesta terça-feira, o Ministério Público acrescentou as acusações de apropriação e retenção indevida, sem explicar os motivos.

Segundo o Ministério Público, os crimes foram cometidos por meio da Fundação Violeta Barrios de Chamorro (FVBCH), centro de capacitação e defesa da liberdade de imprensa que Cristiana dirigiu por 20 anos, até fevereiro.

Enquanto isso, Carlos Fernando foi acusado de lavagem de dinheiro, apropriação e retenção indevida, enquanto seu irmão Pedro Joaquín foi indiciado pelos crimes de gestão abusiva e retenção indevida.

O único crime de Pedro foi "exigir eleições livres", protestou seu irmão Carlos no Twitter, aludindo ao controle do partido no poder sobre o sistema eleitoral.

O Ministério Público informou que “o Poder Judiciário admitiu a ampliação da denúncia contra Cristiana Chamorro e os demais indiciados”, sem especificar o nome do juiz que está encarregado do processo, nem quando serão as audiências prévias ao julgamento.

Outras sete pessoas que trabalharam ou colaboraram com a Fundação FVBCH também foram acusadas de diversos crimes.

Cerca de 34 opositores, incluindo sete candidatos à presidência, estão detidos desde junho pela polícia, alguns por lavagem de dinheiro e outros por "traição", sob uma lei que entrou em vigor em dezembro passado que pune com prisão aqueles que promovem bloqueios econômicos e interferência estrangeira.

O último detido, no domingo, foi Roger Reyes, advogado de um dos candidatos presidenciais presos.

O presidente Daniel Ortega, no poder desde 2007, após duas reeleições sucessivas, foi autorizado por seu partido em 2 de agosto a disputar o quarto mandato nas eleições de novembro.

bm/gm/am

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