Filhos e netos contam como é dividir o palco e a vida com Gil

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Avô, filhos e netos no mesmo palco. Gilberto Gil e a família vêm rodando a Europa, lotando os lugares por onde passam ao levar o que o Brasil tem de melhor: a música, a alegria, o otimismo. Apesar da onda de calor que assola alguns países da região, não tem tempo quente para os brasileiros e estrangeiros que cantam e dançam ao som dos Gil.

Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

O imortal parece se divertir tanto quanto o público ao lado dos filhos e netos com quem divide a vida e o palco. Generoso, apresenta todos, um a um e dá espaço para eles se apresentarem. Os netos pequenos também estão lá com suas guitarras desligadas. Em “Aquele Abraço”, Gil arrisca uns passos de samba, arrancando sorrisos e gritos do público, já com os celulares a postos para registrar o momento. É como se fosse uma comemoração no palco e fora dele, uma festa. E é. Gil fez 80 recentemente.

Preta Gil, que foi quem deu a ideia da turnê pela Europa com todo mundo junto, falou com exclusividade à RFI sobre o significado dessa experiência em família. Também conversamos com outros filhos e netos.

“Pra mim, estar com meu pai, minha irmã Nara, com a família inteira, me permitindo também ser backing vocal, que era um sonho de fato, de infância, é uma felicidade que a gente não consegue mensurar”.

“É mais do que um sonho”, segundo Preta.

“É a gente vivendo a existência plena de um artista como meu pai, vendo seu legado vivo, porque a gente fala muito de artistas quando partem e deixam um legado. Meu pai está vivenciando o legado dele com toda a sua prole, ainda com saúde, com muita vitalidade, com muita vontade de viver, com muito brilho no olho. É o que me emociona, quando eu olho para ele no palco e vejo o olho dele brilhar, olhar pra prole, para o seu legado vivo, todos os seus filhos, netos, bisneta”, conta ela.

Depois de cantar “Vá se Benzer”, Preta falou: “Eu sou preta, eu sou gorda, eu sou bissexual, eu sou feliz e eu sou filha do imortal Gilberto Gil”. O povo vibrou, e um brasileiro que estava acompanhando o show na plateia, atrás da repórter da RFI, gritou: “E eu sou gay”.

Preta diz ainda que “não conhece um artista que tenha vivenciado isso, de poder ver quatro gerações da família, da primogênita à bisneta, no palco”.

“Isso é único, né? Então, pra mim, é uma emoção. Em todos os shows é uma emoção diferente e um aprendizado de vida. Não tenho nem dúvidas de que eu volto para o Brasil uma outra cantora, uma outra mulher, uma outra filha, uma outra mãe, uma outra avó, irmã, cunhada, enfim, são tantos laços afetivos aqui que a gente fortalece com essa turnê, com esse show”, diz a cantora.

“Escola de vida”

Filha mais velha de Gil, Nara também conversou com a RFI sobre o pai, antes do show deles começar em Genebra, na Suíça. Ao lado de Preta, Nara explicou o que significa ser filha do artista e o que ele representa para ela.

“Meu pai é um mestre não só pra mim, mas pra todo mundo que o conhece, para o Brasil, para o mundo, né? Tenho 56 anos, e a gente praticamente viveu a vida juntos. Ele na fase adulta e madura, e eu na minha fase criança, adulta e agora madura. Então, é uma escola mesmo. Escola de vida, né?”, afirma.

Sobre a experiência que estão vivendo na Europa, ela diz que “acha que é a maior alegria que a gente já teve”.

“Todo mundo junto... Até os que não trabalham na música estão presentes, está uma união assim bem forte, bem bonita”, diz Nara.

Neta diz que aprende muito com o avô

Para Flor Gil Demasi, neta de Gil, de 13 anos, que canta “Garota de Ipanema” e “Era Nova” com o avô, é muito gratificante poder estar ali com a família toda”. Ela também contou sobre o que o avô a ensina.

“Eu aprendo muito com o meu avô: de música à educação, eu aprendo muito com ele. Para mim, em primeiro lugar, sempre vem a minha família e poder passar essa experiência de vir para uma turnê com eles é uma experiência única. E a gente está fazendo uma série e documentando isso. É muito legal. Vai ficar aí para sempre esse conteúdo. Então, eu tô muito feliz de poder estar aqui mais um ano com eles”, afirma Flor.

Segundo a neta, cada vez mais ela tem pensado no que significa ser neta de Gil.

“Sendo bem sincera, eu não tenho muito essa noção. Não sei, ele é meu avô. Mas eu venho pensando e realmente é uma coisa muito forte e todo mundo sabendo e tal. É muito louco”, afirma.

Flor disse também que fica muito emocionada em cantar com o avô. “E eu até tenho que segurar de vez em quando para não chorar. É muito emocionante sempre”.

“Um sonho de viagem”, diz neto de Gil

Outro neto de Gil, Bento Gil, de 17 anos, comentou com a RFI sobre a experiência de trabalhar com a família.

“A turnê está uma maravilha, um sonho de viagem com a família toda. E ainda mais pelo contexto da pandemia em que a gente ficou dois anos sem poder fazer show todo mundo. A gente está curtindo bastante, a família toda, as crianças... Não tem ninguém da família que não está aqui. É muito bacana”, disse o jovem, que cantou “O Pato”, de João Gilberto, com o avô.

Filho diz que Gil está se despedindo das turnês

Pai de Bento e filho de Gil, Bem Gil explica que nos últimos anos, a família passou a colaborar com o pai de forma natural. E que “resolveu fazer essa viagem agora enquanto ele ainda está cheio de energia, tá feliz, tá animado, para poder fazer essa grande celebração tanto musical como familiar”.

“Está sendo, de fato, uma grande celebração da obra dele e da família, que é uma obra da qual ele também se orgulha muito. A família sempre foi muito unida, muito próxima. Nas festas de fim de ano, nessas celebrações mais tradicionais, a gente sempre se reúne. Então, eu acho que é uma coisa que naturalmente aconteceu porque vários dos filhos trabalham com música e começaram a colaborar com ele e pelo fato de ele estar também se despedindo dessas turnês, já com 80 anos - ele já faz isso há 50, e não é uma coisa fácil se fazer um show dia sim, dia não, em países diferentes, em lugares diferentes, Então, talvez ele faça mais um ou dois anos assim”, conta Bem.

Para Bem, a oportunidade de ver Gil se apresentar é uma celebração:

“Tem muitos brasileiros que vivem fora e, pelo falo de ele estar celebrando esses 80 anos, as pessoas saberem da importância disso e que não vão ter mais tantas turnês assim com a possibilidade de ver o Gil atuando e tudo mais, com tudo o que acontece no Brasil também, com todo o contexto político e social, vira uma celebração em torno da figura dele. Uma celebração também do ponto de vista de valorizar o que o Brasil tem de melhor, que é a cultura brasileira”.

Gilsons, o trio que leva o nome de Gil, fala do aprendizado

Gilsons, o trio formado por um filho (José) e dois netos de Gil (João e Franciso), também está no palco com o avô e se apresenta cantando “Várias queixas”. À RFI, João Gil falou sobre a generosidade do avô, que “está abrindo espaço para turma toda”:

“Tem música da Nara, da Preta, da Flor e dos Gilsons também. Então, a gente consegue fazer o nosso número ali, ele consegue apresentar a turma toda, fechar essa gama toda da história. Então, é maravilhoso”.

Segundo ele, a experiência está sendo muito incrível, porque “mistura essa coisa de estar a família toda viajando, explorando o mundo, passeando, conhecendo lugares, mas ao mesmo tempo, celebrando essa carreira, essa musicalidade do S. Gilberto”, diz.

Para José, filho caçula de Gil, que levou as filhas gêmeas Roma e Pina, de 1 ano e meio, para a turnê, estar acompanhando o pai, “fazer parte dessa história nesse final de carreira dele, é muito especial”.

“Tem sido uma experiência incrível com as meninas pequenas. Tá todo mundo aqui. É um presente elas poderem ver um pouco o vovô em ação, ver um pouco desse universo do palco. Então, ver minhas filhas passando por isso também dá uma emoção muito grande. Tem sido prazeroso. A gente está se divertindo, chega nas cidades e todo mundo sai junto para comer, para se divertir. E meu pai sendo o grande motivador de tudo isso. A gente assim muito amarradão de ver ele com o sorriso no rosto no palco, de ver ele curtindo, de ver ele a cada show curtindo mais, achando melhor, se divertindo”, conta.

“Ele puxa o bonde mesmo, todo mundo tem que correr atrás dele”

Filho de Preta Gil, o neto Francisco explica o que é estar no palco com o avô e vê-lo ali como o grande artista que é. “Quando você está nesse lugar de músico e observa o S. Gilberto, realmente , a conta fecha, porque aí você vê o que que é o artista e o profissional, a dedicação nas passagens de som, a rigidez nos ensaios, a preocupação com o resultado. E estar acompanhando isso assim como família, mas como músico também, é muito mágico porque é uma referência”, diz.

O neto também fala sobre a liderança de Gil (“um líder exemplar”):

“É muito aprendizado. Ele puxa o bonde mesmo, todo mundo tem que correr atrás dele, a real é essa. Tem horas ali que estou eu, minha mãe, minha filha, um do lado do outro, a gente ali, se virando, e são várias configurações no palco, de pais e filhos, de irmãos e primos, eu acho que isso é o mais legal porque nossa família tem muito essas relações. É muito bonito”, diz.

O que eles falam sobre a política e as eleições deste ano

Durante o show e na passagem do som em Genebra, o público se manifestou politicamente, gritando “Fora, Bolsonaro”. Quando entrevistado pela RFI, Gilberto Gil deixou uma mensagem aos brasileiros: “Que votem com o senso mais intenso de responsabilidade”, fazendo referências às eleições de outubro.

Preta e Nara também falaram sobre o clima político e o governo Bolsonaro. “A gente viveu quatro anos de catástrofe, de deterioração de tudo, da cultura, do meio ambiente, enfim, de todos os valores das minorias, das instituições, desmonte de tantas coisas. Então, agora, a gente tem que lutar para que isso saia, para que a gente possa retomar o crescimento do Brasil em todos os aspectos. Com toda a nossa união, a nossa consciência, com todo o amor que a gente tem ao Brasil, a gente vai virar esse jogo, eu acredito”, afirmou Preta.

Ela disse também que “o público que vem nos ver é muito consciente de que estamos vivendo uma iminência muito grande, um perigo muito grande contra a nossa democracia”.

Para Nara Gil, a situação no Brasil está bastante difícil. “Eleições ameaçadas pelo próprio presidente da República. A gente espera que as coisas se acalmem, que todo mundo entre nos eixos para não desajustar o nosso Estado democrático”.

A RFI também perguntou para Flor, neta do artista, sobre o fato de a mãe, Bela Gil, ter sido cotada para ser vice de Haddad, em São Paulo. “Eu fiquei sabendo, inclusive, no grupo da família. Eu fiquei tipo: é sério? Vai rolar isso? Aí ela, é, eu acho que sim, eu tô pensando ainda. Ela está pensando ainda. Não sei se vai rolar”, comentou a adolescente.

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