Filhos do ex-presidente panamenho Martinelli são soltos nos EUA

Os dois filhos do ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli, Luis Enrique e Ricardo Alberto, foram soltos nesta quarta-feira (25), após cumprirem a sentença que lhes foi imposta pela Justiça dos Estados Unidos por recebimento de propina da multinacional Odebrecht.

"Confirmamos que Ricardo Alberto Martinelli Linares e Luis Enrique Martinelli Linares foram liberados da custódia do Escritório Prisional [...] por boa conduta", disse esta agência à AFP.

Os irmãos Martinelli cumpriram dois anos e meio dos três anos da pena imposta pela Justiça americana, pois foi descontado o período que eles permaneceram presos preventivamente, primeiro na Guatemala e depois nos Estados Unidos, até que a sentença fosse emitida.

Além disso, eles pagaram uma multa de US$ 250 mil pelo recebimento de US$ 28 milhões em propinas da Odebrecht, dos quais US$ 19 milhões transitaram por contas dos EUA.

Ao saírem da prisão de Allenwood, na Pensilvânia, onde cumpriram parte da pena, Luis Enrique e Ricardo Martinelli deveriam ser "transferidos para os escritórios do ICE", o serviço de imigração americano, de onde serão "deportados" para o Panamá por não terem "status" legal nos Estados Unidos, disse uma fonte judicial à AFP.

"Se eles não se opuserem, sua deportação deve ocorrer rapidamente", acrescentaram as mesmas fontes.

- Mais prisões? -

Na audiência em que se anunciou a decisão, os advogados dos irmãos, que tinham se declarado culpados das acusações da Promotoria dos EUA, responsabilizaram o ex-presidente Martinelli de tê-los induzido a cometer os crimes.

O Órgão Judicial do Panamá garantiu que os irmãos seriam mandados à prisão ao retornarem ao país, depois que um tribunal rechaçou as solicitações de seus advogados para "suspender a ordem de prisão" que pesa contra eles.

Porém, nesta quarta-feira, o advogado Carlos Carrillo afirmou que os irmãos "não podem ser detidos" no Panamá, porque pagaram, cada um, US$ 7 milhões em fianças: 2 milhões pelo caso Odebrecht e 5 milhões pelo "Blue Apple".

Os dois devem enfrentar, junto com o pai, um julgamento pela suspeita de lavagem de dinheiro no esquema de corrupção montado pela construtora brasileira Odebrecht, e outro pelo escândalo conhecido como "Blue Apple", um esquema de cobrança de propina para agilizar contratos durante o governo Martinelli (2009-2014), que pretende se candidatar novamente à Presidência em 2024.

Luis Enrique Martinelli foi extraditado aos Estados Unidos em 15 de novembro de 2021. Depois, seu irmão chegou em 10 de dezembro.

A Justiça dos Estados Unidos os acusou de utilizar o sistema financeiro americano para cometer sua fraude "egoísta e ambiciosa".

Segundo a Promotoria, os Martinelli investiram 9,5 milhões de dólares do montante que receberam da Odebrecht em uma companhia de serviços de telefonia móvel no Panamá, e também em ações e títulos públicos.

Além disso, Luis Enrique Martinelli comprou um iate de 1,7 milhão de dólares e um condomínio em Miami de 1,3 milhão, enquanto seu irmão pagou "centenas de milhares de dólares" em gastos com cartão de crédito.

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