Filhos de Mubarak são processados por corrupção pela segunda vez (TV)

Gamal e Alaa Mubarak visitam pai, que também está detido

Os dois filhos do presidente egípcio deposto, Hosni Mubarak, já em julgamento por peculato, são alvos de um novo processo por corrupção, anunciou nesta quarta-feira a televisão estatal.

Gamal e Alaa Mubarak, presos provisoriamente no Cairo, serão julgados com outras sete pessoas no tribunal penal pelo envolvimento em um caso de corrupção relacionado com a Bolsa de Valores, indicou a Nilo Television.

O veredicto do atual julgamento, no qual são acusados de aceitar mansões como suborno, é aguardado para o dia 2 de junho. Seu pai também é julgado no mesmo processo por corrupção e pela morte de manifestantes durante a revolta contra seu governo em 2011.

Neste segundo julgamento, as acusações são relacionadas à venda do Banco Al-Watany, informou a agência de notícias Mena.

Os réus tentaram adquirir a maioria das ações de vários bancos através da compra de pequenos proprietários por meio de empresas de fachada sem declará-las na bolsa de valores, explica a agência, que acrescentou que desta forma a dupla conseguiu ganhar 300 milhões de dólares que foram, em seguida, transferidos para contas no exterior.

Gamal, 48 anos, líder do comitê político do poderoso partido no poder sob o regime Mubarak, era cotado para suceder seu pai, o que alimentou a ira popular que levou à eclosão da revolta de janeiro-fevereiro de 2011.

Alaa, o mais velho, ficou longe da política, mas, segundo rumores, acumulou uma fortuna graças às redes de relacionamento de seu pai.

Os dois filhos estão encarcerados em uma prisão no Cairo à espera do veredicto, assim como seu pai, de 84 anos, que está detido no hospital militar, onde recebe tratamento por seus problemas cardíacos.

Mubarak, que se declarou inocente, teve a pena de morte pedida pela Promotoria. Seu ministro do Interior, Habib el-Adli e outros seis ex-membros dos serviços de segurança, também são julgados especialmente pela morte de cerca de 850 manifestantes durante a revolta.

O Egito vive neste momento um período delicado, o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmad Shafiq, disputará o segundo turno da eleição presidencial, no qual enfrentará o islamita Mohamed Mursi.