Filhos de Roberto Guilherme, o Sargento Pincel, se emocionam em velório e lembram vídeo feito pelo ator horas antes de morrer

Os filhos do ator Roberto Guilherme, o Sargento Pincel dos Trapalhões, se emocionaram na despedida ao pai no velório que ocorreu nesta sexta-feira, dia 11, no Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Portuária do Rio. Roberto morreu na última quinta, dia 10. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul da capital fluminense, dando prosseguimento a seu tratamento contra um câncer.

Em entrevista ao site G1, Willian de La Vega e Waleska de La Vega relembraram a proximidade do pai com os fãs. Eles também falaram sobre como Roberto lidava com a fama e com a vida em família, que sempre vinha em primeiro lugar.

"Meu pai era um homem família. Então, o legado que ele deixa para mim e para a minha irmã é família em primeiro lugar. (Por) Dois meses ele sofreu com o tratamento, lutando. Porque ele não queria sair, mas ao mesmo tempo a gente queria que ele descansasse. Então, agora ele tá em um lugar que ele merece", contou William ao G1, dizendo ainda: "Falar do meu pai é a coisa mais simples e ao mesmo tempo difícil. A mais simples porque tudo o que ele fez foi sempre voltado para a família e a mais difícil porque ele deixa um legado que para segurar não é fácil".

Waleska contou que era difícil conter as lágrimas, ainda mais porque o pai morreu ao seu lado, e falou: "Ele sempre foi uma pessoa feliz, sempre fez de tudo para fazer as pessoas sorrirem, era o lema dele. Ele fazia questão. Ele falava com todo mundo. É difícil não manter as lágrimas. Ainda mais porque ele morreu do meu lado. Meu pai sempre foi espetacular, amoroso, sempre fez de tudo pela gente. Foi um excelente marido. Ele falava que não queria tristeza no velório dele. Eu vou lembrar do meu pai pelo lema dele: fazer as pessoas felizes".

Durante o velório, Willian falou ao G1 de um vídeo que Roberto Guilherme fez na própria quinta-feira, 10, pouco antes de morrer, perguntando sobre as netas e pedindo que elas tirem 10 nas provas da escola. Nas imagens, feitas pelo filho, o ator pergunta por parentes e manda abraços: "Um abraço forte para a família. Beijos. Família unida, sempre unida. Fiquem com Deus a família toda", disse Roberto Guilherme, horas antes de morrer.

"Ele se despediu de todos. Meu pai estava sofrendo muito. No dia (quinta), colocamos ele sentado e ele gravou esse vídeo", contou Willian. As imagens foram exibidas durante o velório do artista.

Após o velório, nesta sexta-feira, 11, o corpo de Roberto Guilherme seguiu no fim da tarde para o crematório do Cemitério da Penitência.

Ator foi paraquedista e jogador de futebol

Conhecido pelo marcante papel do Sargento Pincel em "Os Trapalhões", o ator Roberto Guilherme, que morreu na manhã desta quinta-feira aos 84 anos, também teve a experiência de ser militar na vida real. Ele foi paraquedista do Exército. O próprio artista mostrou, no ano passado, em seu Instagram uma lembrança da época, em que tinha 19 anos. Além disso, ele também jogou futebol pelo Vasco da Gama, quando tinha 14.

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— Era sargento e só queria saber de futebol. Joguei até com o Pelé, acredita? Um dia, escrevi uma peça para o teatro amador do Olaria Atlético Clube, o ator acabou faltando e entrei no lugar dele, depois de uns bons copos de rum. Um cidadão me viu no palco e me convidou para o elenco da TV Rio. Modéstia à parte, eu era bem apanhado : cinturinha pequena, peito grandão, olhos verdes... (risos) — gabou-se ele, em entrevista ao EXTRA em 2011.

Nascido em Ladário (MT), o ator morou em Natal (RN) e veio para o Rio com 8 anos. Aos 11, já trabalhava numa tamancaria. Mas foi em 1963, na TV Excelsior, que Roberto conheceu Renato Aragão e recebeu o convite para trabalhar com ele.

— Desde então, nunca mais nos separamos. Somos amigos, compadres, irmãos de sangue — conta o artista, explicando que, certa vez, doou seu raro sangue "tipo O" para salvar o humorista de uma hemorragia estomacal.

Ao parceiro de cena, Roberto não se cansa de tecer elogios...

— Aragão é uma eterna criança, só que é muito tímido, por incrível que pareça. Se você puxar por ele, ele vem. Em cena, é um monstro sagrado, um cara iluminado. Não adianta querer superá-lo, porque tudo vai perder a graça. Ele é o cara! E temos um trato : vamos juntos até 2056! — conta ele, lembrando, com pesar, a falta que fazem Mussum e Zacarias.

Sem medo do ridículo ("Não sei o que é isso, não tenho pudor em cena") e empunhando com orgulho a bandeira do humor ingênuo ("Palavrão e gesto obsceno qualquer incompetente faz"), Roberto Guilherme garante não se importar em ser sempre o coadjuvante :

— Nunca, na minha vida, fui o principal, por uma questão de opção. Sempre procurei ser um bom coadjuvante para estar entre os melhores. Coloco a bola lá em cima e digo "Faz o gol!". Aí, na hora da foto, estou eu lá, junto com quem levanta a taça. Acho estranho, hoje em dia, as pessoas terem vergonha de dizer que são coadjuvantes. Deveriam ter orgulho, porque um bom coadjuvante segura qualquer protagonista ruim, ao mesmo tempo que um bom principal é derrubado por um secundário ruim. Tenho a humildade de fazer o meu, bem feito. Esse é o segredo de estar tantos anos no ar.

Nome artístico veio de brincadeira com Renato Aragão

O nome de registro de Roberto Guilherme, Edward Guilherme Nunes, ficou esquecido na carteira de identidade do ator, ao longo de sua carreira. Por causa do personagem de "Os Trapalhões", ele só era conhecido nas ruas e na própria família como Sargento Pincel.

— Meu nome imperial foi embora... Até minha família me chama de Pincel. Os dois filhos, os três netos... Com minha mulher (Sheila, com quem está casado há 43 anos), é "Pinça" para lá, "Pinça" para cá... Mas não tem grilo, não. Esse personagem é como um filho que eu criei e atravessou gerações. Um filho que me dá muito orgulho — afirmou ele, em entrevista concedida ao EXTRA em 2011, lembrando que Pincel não era o primeiro sargento de sua carreira: — Antes, fiz um militar que não tinha nome, no programa "Os legionários" (1963), da TV Excelsior.

Mas por que Pincel? O apelido surgiu de uma piada, como não poderia deixar de ser...

— O roteirista, o diretor e o próprio (Renato) Aragão faziam umas molecagens comigo. Toda hora tinha nas cenas a história de que eu era "chegado a levar umas pinceladas", e eu nunca respondia. Aí, um belo dia, armei para cima deles. Mandei escrever "Sgt. Pincel" numa camiseta, na altura do peito. Aragão veio com a gracinha : "Sargento, ando preocupado, pensando, pensando... Me explica: como é mesmo esse negócio das pinceladas?". E, dessa vez, eu respondi: "Muito simples! Está vendo aqui? Pincel é meu sobrenome!". E assim ficou — lembrou ele na mesma entrevista.