Filiação do prefeito de Guarujá amplia lista sob suspeita em prévias do PSDB

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 09.10.2018 - Os governadores João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 09.10.2018 - Os governadores João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tida como uma grande conquista do PSDB de São Paulo, a filiação do prefeito de Guarujá, Válter Suman, foi noticiada pelo partido em 20 de julho deste ano. Agora, o diretório paulista afirma que a filiação ocorreu, na verdade, em 14 de maio.

A filiação de Suman, só registrada à Justiça Eleitoral em 28 de setembro pelo diretório do PSDB, é uma das de 92 de prefeitos e vices sob suspeita após questionamento dos diretórios tucanos de RS, MG, BA e CE. Votos de prefeitos têm peso relevante nas prévias do partido para a escolha do candidato ao Planalto.

O imbróglio pode pôr em risco a credibilidade das prévias de 21 de novembro, uma disputa acirrada entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), e deve acabar sendo decidido na Justiça, de acordo com caciques do partido. O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também concorre nas prévias.

Nesta quinta (28), o PSDB decidiu que a comissão responsável pelas prévias presidenciais do partido irá definir caso a caso a possibilidade de participação no pleito interno de 92 prefeitos e vice-prefeitos de São Paulo cujas datas de filiação estão sob suspeita.

Segundo a acusação dos diretórios alinhados a Leite, o diretório paulista do PSDB, controlado por Doria, teria fraudado a data de filiação de 92 prefeitos e vice-prefeitos.

As regras das prévias determinam que só podem votar os filiados até 31 de maio. Aliados de Leite apontam que, após essa data, essas filiações foram noticiadas pela imprensa e, em alguns casos, pelos próprios mandatários.

Na avaliação deles, o diretório paulista preencheu a ficha de filiação de forma retroativa, algo que o presidente do PSDB-SP, Marco Vinholi, nega.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, publicações de prefeitos em redes sociais mencionam suas filiações em 14 julho, quando o PSDB-SP promoveu um evento de filiação de 65 prefeitos e vices. Além disso, um dos mandatários afirmou à reportagem ter assinado a ficha de filiação somente na última sexta (22).

Tucanos afirmam que o caso é grave e, se provado, pode levar a acusação de falsidade ideológica. Caberá à comissão de prévias do partido decidir se esses 92 filiados podem ou não votar.

A participação dos mandatários favorece Doria, já que o grupo o apoia. Considerando os 92 nomes, o estado de São Paulo tem 365 prefeitos e vices. O total do país para os tucanos é de 1.000. Esse grupo tem peso de 25% na votação interna do partido.

O PSDB-SP argumenta que as fichas de filiação já estavam assinadas desde maio, embora os eventos para comemoração e divulgação dessas filiações tenham acontecido depois disso.

No caso de Suman, porém, o próprio site do diretório afirma que a assinatura da ficha se deu em 20 de julho, data em que a imprensa noticiou a migração do prefeito do PSB para o PSDB. O evento teve a participação de Vinholi e do vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB).

"O prefeito Valter Suman, de Guarujá, assinou na tarde desta terça-feira (20) sua ficha de filiação ao PSDB", diz o site, que tem uma foto do prefeito assinando a ficha.

Vinholi afirmou, segundo o site do PSDB, que "a chegada do prefeito Valter Suman ao PSDB é motivo de grande alegria". Garcia afirmou ser um dia especial.

O link do site do PSDB-SP chegou a ficar fora do ar na tarde da segunda-feira (25).

Em 21 de julho, Suman publicou no Facebook: "A partir de hoje, a convite do governador João Doria e do vice-governador Rodrigo Garcia, inicio minha trajetória como um soldado do Partido da Social Democracia Brasileira".

Em 8 de junho, quando já estaria formalmente filiado ao PSDB, segundo a versão do diretório paulista, mas antes da festa de filiação, o prefeito compartilhou em suas redes seu perfil publicado em uma revista.

"Médico gastroenterologista da rede pública de Guarujá há mais de 30 anos, Válter Suman (PSB), foi reeleito prefeito de Guarujá em 2020", diz o início do texto da reportagem.

Questionado pela reportagem, Vinholi afirmou que o evento não marcou o dia da filiação em si, que já havia ocorrido, e que as fotos da assinatura da ficha, bem como a notícia do site do PSDB, se referem a atos simbólicos.

Para o presidente do diretório paulista, a ação dos demais diretórios busca cercear o direito a voto nas prévias dos filiados do estado. Vinholi afirmou ainda que a filiação do prefeito de Guarujá seguiu a filiação de Garcia ao PSDB, em 14 de maio.

"Data de anúncio não é igual a data de filiação. Suman negociava a filiação dele desde 2019 e se filiou no mês de maio, no impulso da vinda do Rodrigo [Garcia]. Eventos e anúncios políticos são, portanto, de acordo com a conveniência, não há o que se confundir com filiação formal", afirmou.

Vinholi também declarou que o link com a notícia não havia sido apagado. "O texto demonstrava o ato de anúncio da filiação. No dia 20, foi um ato de filiação simbólica. Isso é comum e dentro da legislação eleitoral e partidária", completou.

Em nota, André Guerato, que era presidente do diretório do PSDB de Guarujá até o fim de julho, afirmou que "a filiação do Prefeito Municipal Valter Suman ao PSDB foi efetivada e realizada no início do mês de maio de 2021, tal como certificado pessoalmente por mim".

"Posteriormente, o evento de anúncio da filiação, realizado em data posterior, obedeceu questões de agenda das autoridades, porém com a filiação ao partido já concretizada, nos termos do nosso estatuto", disse Guerato.

Suman não respondeu à reportagem. Garcia afirmou que não iria comentar.

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