Filiação de Sergio Moro ao Podemos é recebida nas redes com críticas por opositores e elogios de entusiastas da terceira via

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RIO — O discurso do ex-ministro Sergio Moro durante o evento de filiação ao Podemos, nesta quarta-feira, rendeu elogios nas redes aos entusiastas de uma terceira via na disputa eleitoral de 2022, críticas de bolsonaristas que alegam uma traição de Moro ao sair do governo e questionamentos de internautas que relembraram quando o ex-juiz afirmou que jamais entraria para a política. O assunto se tornou um dos mais comentados no Twitter.

Em sua fala, Moro admitiu que pode vir a se candidatar para a Presidência em 2022, e que seu nome “sempre estará à disposição do povo brasileiro”. Com críticas de apoiadores tanto de Lula quanto de Bolsonaro — nomes que lideram hoje as pesquisas eleitorais — a entrada de Moro na corrida ao Palácio do Planalto é bem recebida por políticos que buscam uma terceira opção à polarização atual.

Em dois cenários simulados por uma nova pesquisa da Quaest sobre as intenções de voto para o ano que vem, divulgada nesta quarta-feira, o ex-juiz aparece em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto.

“Diagnósticos corretos sobre as reformas, o combate à corrupção, a responsabilidade fiscal, a assistência social e a preservação ambiental”, escreveu o ex-presidente do Novo, que concorreu à Presidência em 2018, João Amoêdo, sobre o discurso de Moro.

Outros parlamentares do partido também elogiaram a fala do ex-juiz. “Ainda temos muito chão pela frente, mas é animador ter alguém com o tamanho de Sergio Moro deixando claro o câncer que o bolsopetismo é pro Brasil e propondo soluções. Além disso, ser rejeitado pelos extremos que destruíram o país é um ótimo sinal de que ele está no caminho certo”, disse o deputado estadual Heni Ozi Cukier (Novo-SP).

Por outro lado, opositores à candidatura de Sergio Moro criticaram a sua atuação anterior como juiz e ministro do governo Bolsonaro.

“Não há surpresa nenhuma em Moro se filiar a um partido político e sair candidato ano que vem. Já falávamos que suas intenções não tinham nada a ver com justiça. Fica cada vez mais nítido o que essa turma queria lá atrás”, afirmou a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ).

“Sergio Moro agora fala “chega de rachadinhas”, mas quando ministro da Justiça se calou, ou melhor, fingiu que não era com ele. Veja o que ele dizia: “Eu, na verdade, fui nomeado para ser ministro da Justiça (do governo Bolsonaro). Não cabe a mim dar explicação sobre isso”, disse o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).

Já entre os bolsonaristas, o discurso foi recebido com acusações de que Moro teria “traído” o presidente Jair Bolsonaro. O ex-ministro saiu do governo em abril de 2020, após acusar Bolsonaro de tentar intervir no comando da Polícia Federal.

“Moro tentou derrubar o governo com mentiras até hoje não provadas. Moro traiu não só Bolsonaro, mas a muitos que o tinha como herói da lava jato”, disse um apoiador do presidente na rede social.

No ato de filiação, Moro criticou Bolsonaro e falou sobre seu tempo como titular da pasta de Justiça e Segurança Pública. “Quando vi meu trabalho boicotado e quando foi quebrada a promessa de que o governo combateria a corrupção, sem proteger quem quer que seja, continuar como ministro seria apenas uma farsa”, disse.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, ironizou a filiação do ex-ministro ao Podemos, em sua conta no Twitter, lembrando que, em 2016, Moro afirmou que jamais entraria para a política.

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