Filipinas encerra campanha presidencial com filho do ditador Marcos na liderança

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A perspectiva de um retorno da família Marcos à presidência das Filipinas preocupa os ativistas de direitos humanos (AFP/Ted ALJIBE) (Ted ALJIBE)
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O filho do falecido ditador filipino Ferdinand Marcos encerrará neste sábado (7), diante de centenas de milhares de apoiadores, sua campanha para as eleições presidenciais de segunda-feira (9), com as pesquisas prevendo uma ampla vitória.

Se as previsões se confirmarem, Ferdinand Marcos Jr culminaria uma campanha de décadas tentando reabilitar a sombria ditadura de seu pai, deposto por uma revolta popular em 1986 e fugido para o exílio nos Estados Unidos.

Mas a perspectiva de um retorno dos Marcos ao palácio presidencial em Manila alarma ativistas de direitos humanos, líderes religiosos e analistas políticos que temem um mandato "irrestrito".

Dez candidatos disputam a sucessão do presidente Rodrigo Duterte, com um legado também criticado e alvo de uma investigação internacional por sua sangrenta guerra ao narcotráfico.

Além de Marcos Jr, os candidatos incluem o atual vice-presidente e crítico de Duterte, Leni Robredo, o conhecido ator e prefeito de Manila, Francisco Domagoso, ou ainda o boxeador Manny Pacquiao.

Mas as pesquisas indicam que Marcos Jr terá mais da metade dos votos, muito à frente de Leni Robredo, tornando-se o primeiro candidato desde a queda da ditadura a vencer por maioria absoluta.

"Se receber tantos votos, isso pode lhe dar a confiança para alterar mais radicalmente o sistema político filipino", comentou à AFP o analista Richard Heydarian, apontando uma possível mudança constitucional para reforçar seu poder.

Robredo, de 57 anos, que derrotou Marcos Jr na disputa pela vice-presidência em 2016, alertou seus seguidores que "o futuro do país" está em jogo.

Centenas de milhares de partidários são esperados em Manila para assistir aos comícios de Marcos Jr e Robredo.

Ao contrário de outros sistemas presidenciais com dois turnos, nas Filipinas quem obtiver mais votos vence, mesmo que a diferença seja mínima.

O filho do ditador fez uma campanha contida, sem debates televisivos e poucas entrevistas, e tentou apresentar sua família rica como pessoas normais.

Também lançou uma forte campanha de desinformação voltada especialmente aos jovens que não se lembram do regime corrupto e violento de seu pai, a fim de reescrever o passado de sua dinastia.

A popularidade de Marcos Jr, apelidado de "Bongbong", foi impulsionada por sua aliança com Sara Duterte, filha do presidente e principal candidata à vice-presidência, e o apoio de várias dinastias rivais.

Dias antes da eleição, defensores dos direitos humanos e numerosos padres católicos lançaram uma última tentativa de impedir que Marcos Jr voltasse ao Palácio Malacañán, onde cresceu em meio ao luxo e à riqueza obtida com as práticas corruptas da família.

"Serão mais seis anos de inferno", alertou o humorista político e ativista Mae Paner, 58, que fez parte do levante popular que derrubou a ditadura.

A família fugiu para os Estados Unidos, mas após a morte do ditador no Havaí em 1989, retornando posteriormente às Filipinas, onde usou lealdades locais para conquistar posições de poder e tentar lavar duas décadas do regime.

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