Premiado em Cannes, filme paquistanês 'Joyland' tem lançamento proibido no próprio país; entenda

O governo paquistanês impediu que o filme "Joyland" fosse lançado no país nesta quarta-feira (16). O longa do diretor Saim Sadiq foi o primeiro filme paquistanês exibido no Festival de Cinema de Cannes, no qual ganhou o prêmio do júri , em maio.

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“Joyland” fala sobre uma história de amor entre o filho mais novo de “uma feliz família patriarcal” e uma estrela transgênero que ele conhece depois de entrar escondido em um teatro adulto. O Conselho Central de Censores de Filmes (CBFC) do Paquistão chegou a emitir uma permissão para que o filme fosse lançado em agosto, mas na última sexta-feira (11), o Ministério de Informação e Radiodifusão do Paquistão publicou um novo comunicado proibindo a exibição do filme. Segundo o informe, o órgão recebeu reclamações de que o longa contém “material altamente questionável” e que não está em conformidade com os “valores sociais e padrões morais de nossa sociedade”.

Veja o trailer de "Joyland":

Protestos

A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão se colocou contra a proibição do governo, a classificando como "raivosamente transfóbica", além de ser uma violação à liberdade de expressão. “O público do Paquistão tem o direito de decidir o que vai assistir”, afirmou o órgão em comunicado.

A decisão do governo gerou uma onda de comentários na internet com a hashtag #releasejoyland. Saim Sadiq, o diretor do filme, escreveu nas redes que a proibição é “absolutamente inconstitucional e ilegal” e reforçou que o povo paquistanês tem o direito de "assistir ao filme que deixou o cinema do seu país orgulhoso em todo o mundo".

A atriz Rasti Farooq, que está no elenco de "Joyland", também fez coro ao protesto, via Instagram: “Eu defendo meu filme e tudo o que ele diz, com cada fibra do meu ser”.