Filme de terror 'Curupira - O demônio da floresta' é acusado de 'racismo religioso' após divulgar trailer e pôster

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RIO - Apresentado por seus produtores como o primeiro filme de terror do Maranhão, "Curupira - O demônio da floresta", nem estreou e já está causando polêmica.

Com lançamento nos cinemas previsto para 28 de outubro, o longa do cineasta Erlanes Duarte teve o seu trailer e poster divulgados no domingo, 17. Em ambos, a figura do folclore brasileiro surge de forma um tanto aterrorizante, à espreita na mata, em uma representação aparentemente negativa. O que, entre muitos usuários das redes sociais, foi interpretado como uma demonização da cultura indígena e falta de respeito com os povos originários. O projeto também foi acusado de promover racismo religioso.

Desde 1970, o menino de cabelos vermelhos e pés virados para trás é instituído como símbolo estadual do guardião das florestas e dos animais. O projeto, porém, tem como objetivo apresentar o lado "sombrio" do personagem, dentro de um contexto de filme slasher - um sub-gênero de terror que quase sempre envolve assassinatos sangrentos. Na trama, seis jovens vão fazer um passeio pela floresta e passam a ser perseguidos pela criatura.

"Colonialismo é o verdadeiro demônio da floresta", "essa é a visão que o branco tem do curupira" e "Curupira é um guardião das florestas, um herói, mas resolvem simplesmente pegar a figura e transformar em um vilão" foram alguns dos comentários de usuários do Twitter indignados com a produção.

"Os brancos como sempre, tratando seres espirituais Indígenas como "DEMÔNIOS", é assim com os Povos Negros, conosco, não fariam diferente! Absurdo!", escreveu o ativista indígena Emerson Pataxó, Secretário Executivo da Associação de Jovens Indígenas Pataxó.

Antes mesmo da polêmica explodir, o cineasta Erlanes Duarte já havia declarado que era uma "grande responsabilidade" representar Curupira em um contexto sombrio. Ouvido pelo GLOBO nesta segunda-feira, 18, o diretor de filmes como "Muleque té doido" disse que o filme "levantou um debate importante".

- Estamos falando de uma obra inteiramente ficcional - disse ele. - O filme não tem a intenção de ofender e não ofende nenhuma religião, pessoa ou etnia indígena. Não tocamos nesses assuntos no filme. Mas, tirando a ficção, o que o filme mostra é a discussão sobre a preservação do meio ambiente.

Duarte explica que, no longa, Curupira mantém a sua essência, pois continua sendo o protetor das matas.

- Ele personifica de maneira forte e incisiva, e aí, é o grande debate do filme, a forma que a natureza responde a maus tratos do homem. Infelizmente, as pessoas estão julgando o livro pela capa, sem ter lido ainda. Mas tenho que certeza que todos vão entender a verdadeira mensagem do filme depois de assisti-lo.

Com distribuição da O2 Play e produção da Raça Ruim Filmes e Lengo Studius, "Curupira" não teve aportes do governo, de acordo com o seu diretor.

- Governo esse que não apoiamos, nem em gênero, número e grau - disse. 0 O universo do cinema foi severamente afetado e estamos tentando produzir com o que temos, tirando dos nossos bolsos e tentando fazer arte a duras penas.

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