Filmes sobre von Richthofen pregam que a maconha torna você violento

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Carla Diaz e Leonardo Bittencourt como Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos, respectivamente, nos filmes
Carla Diaz e Leonardo Bittencourt como Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos, respectivamente, nos filmes "A Menina Que Matou Os Pais" e "O Menino Que Matou Meus Pais" (Foto: Stella Carvalho / Divulgação)

Resumo da notícia:

  • "A Menina Que Matou Os Pais" e "O Menino Que Matou Meus Pais" recontam caso real de Suzane von Richthofen de forma rasa, moralista e repetitiva

  • Ambos os filmes parecem culpar a maconha, em parte, pelo assassinato dos pais de Suzane

  • Nem mesmo Carla Diaz consegue se salvar diante da caricatura da sua personagem

"A Menina Que Matou Os Pais" e "O Menino Que Matou Meus Pais" foram lançados simultaneamente no Amazon Prime Video na última semana, causando enorme frisson nas redes sociais. Mas a repercussão se deve mais à lembrança do caso real de Suzane von Richthofen, mandate confessa do assassinato dos próprios pais, do que aos filmes - ambos moralistas, rasos e, em boa dose, repetitivos.

A ideia do diretor Maurício Eça ao lançar dois filmes era mostrar duas versões do crime: a de Suzane von Richthofen (Carla Diaz) e Daniel Cravinhos (Leonardo Bittencourt), seu então namorado e participante do crime. Em anúncio da produção dos filmes, em 2019, a Galeria Prodotira chegou a bradar que o formato de contar a história por olhares diferentes era um "caso único no cinema", provavelmente se esquecendo do clássico "Rashomon" (1950), de Akira Kurosawa, e muitos outros.

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Nada inventivos, os filmes se limitam a reproduzir os depoimentos de Suzane e Daniel, sem se dedicar a desenvolver os personagens. O primeiro longa "O Menino Que Matou Meus Pais" parece ter sido vítima de algum corte involuntário de edição, mostrando uma transformação abrupta de Suzane em estudante dedicada à criminosa; "A Menina Que Matou os Pais" tenta trazer algum recorte de classe, mas acaba tendo um resultado ainda pior, principalmente pela má atuação (e constante cara de choro) de Bittencourt.

Carla Diaz como Suzane von Richthofen no filme
Carla Diaz como Suzane von Richthofen no filme "A Menina que Matou os Pais". (Foto: reprodução/Instagram/carladiaz)

Para quem acompanhou o caso na época, os longas trazem absolutamente nada de novo. Muita gente esperava conhecer mais detalhes sobre a vida dos pais de Suzane von Richthofen, Manfred e Marisia, interpretados por Leonardo Medeiros e Vera Zimmermann, respectivamente; quem esperava por isso se decepcionou com versões pouco conclusivas sobre as vítimas do crime, ora retratados como pais amorosos, ora como ricos arrogantes. 

Em vez de tentar explicar como funcionavam as mentes dos envolvidos no crime, as obras se concentram na pergunta tola de "quem manipulou quem?" Além de repetir cenas, tornando a experiência da sessão dupla cansativa e redundante, os longas também têm em comum a estranha abordagem das drogas. Nos dois filmes, a maconha aparece como porta de entrada não só para outras substâncias mais pesadas, mas também para a prática de crimes hediondos. A representação, inacreditavelmente simplista e fraudulenta, relembra um antigo meme da internet: "a maconha torna você violento".

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Nem mesmo Carla Diaz, o nome mais celebrado da produção, consegue se salvar como Suzane von Richthofen. Dividida entre versões "boazinha e manipulada" e "fria manipuladora", a atriz demonstra entrega à personagem, porém não conseguiria fazer milagre diante de uma caricatura tão pobre de uma personagem real tão assustadora.  

Ainda que sejam benéficos para a carreira de Carla Diaz, nome em evidência das redes sociais nos últimos dias, os filmes não conseguiram justificar a sua existência. Ao contar uma história que todo mundo já conhece em duas versões, Eça parece ter apenas dramatizado depoimentos à Justiça num modelo mais limpinho e menos assustador do "Linha Direta", antigo programa da TV Globo. Para os amantes do "true crime", o resultado é duplamente desolador.

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