Fim de contrato de terceirizados pode deixar pediatria do complexo hospitalar da UFRJ sem médicos

Geraldo Ribeiro
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Guilherme Pinto / Agência O Globo
Guilherme Pinto / Agência O Globo

RIO - Uma nota divulgada pelo Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) da UFRJ, está causando preocupação nos pais que recorrem à unidade localizada no Fundão para cuidar de seus filhos. O texto diz que a partir do próximo dia 12, o hospital, que é especializado em pediatria com perfil de atendimento de média e alta complexidade, deixará de contar com médicos. A situação tende a piorar a partir de 2 de dezembro, com a baixa de outros profissionais do quadro como enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, biomédicos, farmacêuticos, técnicos de laboratório, de farmácia e de radiologia.

De acordo com a nota, estes profissionais foram contratados com orçamento destinado ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. A medida permitiu a ampliação e reforço de áreas de atendimento em setores da unidade como a UTI pediátrica, enfermarias clínicas e especializadas e emergência pediátrica, além dos ambulatórios. Porém, com o término do contrato terceirizado, justificado pela falta de recursos orçamentários, o instituto já informou que não conseguirá manter diversos serviços, entre eles a emergência pediátrica, que vinha funcionando 24h.

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A estas dificuldades, somam-se os afastamentos de servidores que integram o grupo de risco da Covid-19 e estão amparados por resoluções internas da UFRJ, como a autodeclaração por comorbidades de doenças crônicas, idade acima de 60 anos, gestantes e coabitação com idosos e crianças menores. “Assim, ratificamos que todo esse cenário impõe um prejuízo enorme para assistência pediátrica do município e do Estado do Rio de Janeiro”, finaliza a nota.

O vice-diretor do instituto, Mário Marques, disse que as dispensas já estão ocorrendo, mas não tinha os números em mãos. Porém, ele segue esperançoso por uma reversão desse quadro nos próximos dias, por parte do Ministério da Educação (MEC) , para não prejudicar ainda mais o atendimento. Uma reunião nesta semana com a participação do instituto e outros hospitais universitários deverá discutir o assunto, segundo ele.

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— Estamos na expectativa de que estas coisas vão ser revistas, pois vai impor aos hospitais universitários um prejuízo no atendimento. É um contrato que tinha uma definição prévia, foi feito para o enfrentamento à Covid com datas definidas. Nós estamos chegando ao fim dessa situação, mas o nosso anseio é que isso seja revisto o mais rapidamente possível para que a gente possa seguir o atendimento, até porque a gente teme que haja uma segunda onda (da Covid), com uma piora desse quadro, e recompor isso tudo vai ser tão trabalhoso quanto foi no início da epidemia — prevê o vice-diretor.

Antes disso, uma nota de “esclarecimento à comunidade”, publicada no site do instituto no começo de outubro já informava que, em função de cortes orçamentários impostos à universidade os contratos de serviços terceirizados celebrados pela Pró-Reitoria de Gestão e Governança/PR-6 sofreriam redução considerável. A medida acarretaria em cortes de postos de trabalho de serviços terceirizados disponibilizados para as unidades do complexo hospitalar da UFRJ.

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O texto dizia ainda que a direção da unidade precisou ajustar o número de auxiliares de processamento de dados para 14 profissionais, sendo obrigado a dispensar 4 profissionais do setor para atender as limitações orçamentárias impostas, após troca da empresa terceirizada responsável pelo serviço. A nota informava ainda que desde 1º de outubro, os serviços terceirizados envolvendo os mensageiros e os auxiliares de serviços gerais também sofreram redução de postos.

O MEC foi procurado, mas ainda não respondeu.