Fim da gestão Bolsonaro: registro de armas para CACs sobe para 2 mil por dia

Apoiadores de Bolsonaro aproveitam fim da gestão para adquirir mais armas (SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Apoiadores de Bolsonaro aproveitam fim da gestão para adquirir mais armas (SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
  • Últimos meses tiveram aumento considerável no registro de armas por CACs

  • Pessoas estão aproveitando o fim da gestão Bolsonaro para fazer os registros

  • Lula já indicou ser contra a política de flexibilização do acesso às armas do atual presidente

Pessoas com certificados de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) estão aproveitando o fim da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) para ampliar o registro de armas de fogo.

De acordo com informações do portal UOL, mais de duas mil armas foram registradas por CACs por dia, em média, entre setembro e novembro deste ano, mais do que dobrando o número mensal de janeiro a agosto, que não chegava a 870 registros diários.

O dado é um indício de que estes atiradores estão aproveitando a reta final do governo Bolsonaro para os registros. Isso porque o atual presidente flexibilizou as leis para compra e porte de armas, enquanto seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já indicou que atuará na direção contrária.

Para se ter uma ideia do aumento no registro das armas, a média mensal deste ano, entre janeiro e agosto, era de 26 mil. Nos últimos três meses, porém, chegou a 61,4 mil.

De janeiro a novembro, foram registradas 391,3 mil armas de fogo no país, chegando a um número total no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma) de 1.731.295, segundo dados do Exército.

Se levados em consideração dados de anos anteriores, o abismo é ainda maior. Em 2019, primeiro ano da gestão Bolsonaro, foram 78.335 armas registradas, passando a 137.851 no ano seguinte e 257.541 em 2021.

Os quatro anos anteriores ao presidente, somados, tiveram menos de um terço dos registros dos primeiros 11 meses de 2022: 10.558 em 2015, 20.451 em 2016, 32.607 em 2017 e 59.439 em 2018.

Ações de flexibilização de Bolsonaro

A escalada é fruto da política de fácil acesso a armas do atual presidente, que, desde 2019, publicou 10 decretos e 14 portarias dando novos regramentos à aquisição de armas e munições por CACs.

"Deixou de ser uma questão de gostar de armas e criou-se a possibilidade de o CAC sair de casa com a arma pronta para uso", disse ao UOL o policial Roberto Uchôa, pesquisador de segurança pública e autor do livro "Armas para quem?".

Mudança no tipo das armas

Os decretos bolsonaristas também mudaram o tipo das armas às quais os CACs têm acesso, inclusive armamentos pesados que, até então, eram proibidos no Brasil.

"Vamos ter mais crimes com armas e a letalidade dos crimes aumenta, porque faz diferença estar com uma arma que dispara mais rapidamente", considerou Bruno Langeani, gerente do Instituto Sou da Paz.

"Você tem essa regra que, em tese, era para quem está interessado em tiro esportivo e em caça, mas, na prática, virou um caminho mais fácil para todo mundo que quer andar armado", completou, também ao UOL.