Suspensão dos radares em rodovias é "imenso retrocesso" de Bolsonaro

PRF contabilizou 2.250 mortes em rodovias federais entre janeiro e junho deste ano no País. (Foto: Reprodução/PRF)

De janeiro a junho deste ano, as rodovias federais do Brasil registraram uma morte por acidente a cada 30 minutos. Apesar do índice contabilizado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu, nesta semana, suspender o uso dos radares móveis nas estradas administradas pela União.

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A decisão, anunciada na segunda-feira (12) e oficializada nesta quinta (15), representa um “imenso retrocesso” na avaliação da diretora executiva do ITDP Brasil (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento), Clarisse Cunha Linke.

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“É um imenso retrocesso. É um incentivo ao crime no trânsito e à irresponsabilidade, e contradiz não somente a Política Nacional da Mobilidade Urbana, mas também a tendência global de diminuição das velocidades e de diminuição das mortes no trânsito”, avaliou Clarisse.

2.250 MORTES EM ACIDENTES

Dados da própria PRF, força de segurança responsável pelo patrulhamento e ações preventivas das rodovias federais, apontam que 2.520 pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais. No mesmo período de 2018, foram 2.548 pessoas morreram.

Por outro lado, houve um aumento de 6,8% no total de pessoas que foram atropeladas e mortas nas estradas federais, crescendo de 443 para 473 na comparação entre janeiro e junho de 2018 com o mesmo período em 2019.

A medida do presidente contraria, segundo Clarisse, as diretrizes estabelecidas pela ONU (Organização das Nações Unidas). A terceira meta do ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) é, até 2020, reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas.

“Estamos em plena Década de Ações para a Segurança no Trânsito. Não podemos permanecer cegos ao risco que a velocidade traz para a população. Acidentes no trânsito são a principal causa de mortes entre crianças e jovens no mundo.”

O 3º NO MUNDO QUE MAIS MATA

No panorama geral da segurança viária no Brasil, o Brasil ocupa a 3ª posição no ranking global de mortes no trânsito, atrás somente da China e da Índia. Segundo a dados do ITDP, desde 2000, houve um aumento em 29% na ocorrência de mortos e feridos no trânsito no País. 32% das vezes há motociclistas envolvidos, e 20%, pedestres e ciclistas.

“A prioridade do Governo deveria ser ampliar a fiscalização para mudar o cenário de impunidade, e garantir a proteção dos demais usuários das vias - principalmente pedestres e ciclistas. Deveríamos estar investindo em ações de gestão da segurança viária, e redesenho de vias para oferecer infraestruturas mais adequadas e que garantam diminuição da velocidade, ações de educação e sensibilização”, completa Clarisse.