Finanças dos brasileiros estão na corda bamba, revela pesquisa

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RIO — Com que frequência as preocupações com as despesas são motivos de estresse na sua casa? Classificaria sua situação financeira como apertada? Sabe como poupar? Teria condições de identificar bons investimentos?

Essas foram algumas das perguntas feitas a cinco mil pessoas pelo Brasil. As respostas resultaram no inédito Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), que indica uma pontuação média de 57, o que significa que boa parte dos brasileiros tem contas equilibradas, mas não há espaço para erro. Do contrário, o destino é o endividamento.

O novo indicador será lançado amanhã pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), junto com uma ferramenta que permitirá a qualquer cidadão calcular o seu índice, avaliar sua vida financeira e se comparar com outros brasileiros da mesma região, idade, escolaridade ou faixa de renda. Basta acessar http://indice.febraban.org.br.

— A ferramenta permite que cada cidadão tenha um diagnóstico individual de sua situação financeira e identifique os pontos críticos, e, ainda, que o sistema avalie a efetividade das políticas de educação financeira — explica Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade, Cidadania Financeira, Relações com o Consumidor e Autorregulação da Febraban.

Oliva antecipa também que quando a nova plataforma de educação financeira da instituição entrar no ar, em outubro, a ideia é que, a partir desse diagnóstico, o consumidor seja orientado sobre que pontos precisa desenvolver, com indicações de cursos e possibilidades de recompensas, caso evolua na classificação.

Parceiro da Febraban no desenvolvimento do índice, o Banco Central (BC) trabalha para que a educação financeira seja um tema discutido no ensino fundamental. O objetivo é dar aos estudantes instrumentos para navegarem melhor pelos desafios da vida.

— Além de conhecimento, queremos gerar mudança de atitude, tratar esse conhecimento em ações no dia a dia que cheguem à família do estudante — afirma o diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do BC, Maurício Moura.

Educação financeira

Com o tripé orçamento, crédito e poupança, o projeto “Aprender Valor” começou com um piloto em 2020 e será expandido este ano. As inscrições que vão até o fim de julho. Até agora, 2.200 escolas de 550 municípios em 21 estados se cadastraram.

A educação financeira desde a infância poderia, de fato, mudar a realidade identificada pela pesquisa da Febraban, que mostra que um terço dos brasileiros começa o mês no negativo, quase a metade não vê razões para poupar, e 61% têm consciência de que não cuidam adequadamente do dinheiro.

— A pesquisa foi feita no fim de 2020 e já capta o impacto da pandemia. Em 2022, vamos repetir e poderemos ver qual foi a evolução — diz Oliva.

A economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), considera positivas as iniciativas, mas não suficientes:

— A falta de informação é uma das razões do endividamento do consumidor e sempre tentam culpá-lo exclusivamente pela situação. Mas os bancos precisam assumir sua responsabilidade. O indicador será importante para avaliar a efetividade dos programas de educação financeira.

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