Finanças pessoais: especialistas dão dicas para turbinar o cofrinho e fazer um pé de meia para o fim do ano

O ano de 2022 tem sido turbulento: o brasileiro ainda se recupera de uma pandemia global e já precisou enfrentar eleições polarizadas sob um cenário econômico incerto, com inflação e juros altos. Com o ano na reta final, nada mais justo que aproveitar as férias para descansar, se divertir e aproveitar bastante. Pensando nisso, o Extra preparou uma série especial com dicas de programações, passeios e viagens que será divulgada às sextas-feiras, para ajudar a planejar um fim de ano excelente e inesquecível.

Como ainda há muito trabalho pela frente até a chegada das férias, que tal começar esse planejamento com o pé direito para terminar o ano com o bolso cheio? Nesta sexta-feira, especialistas dão dicas de finanças para que a virada de 2023 seja de diversão — e não de preocupações financeiras.

Para fazer aquela viagem especial, o planejamento é o melhor amigo das finanças. Os economistas e especialistas em investimentos André Schneider, da Warren, e Rodrigo Correa, da BS Investimentos, ensinam estratégias que podem ser aplicadas no dia a dia para fazer um cofrinho rechonchudo nessa reta final.

Parece contraditório, mas utilizar o 13º salário para quitar dívidas pode ser o grande diferencial para a vida financeira. “Dessa forma, o salário ficará livre para as necessidades”, ressalta André Schneider. Além disso, a ação tem efeito psicológico: quando não há preocupações com parcelas, dá para visualizar as entradas e dividir os gastos com mais facilidade.

— Sanando os débitos, a gente consegue avaliar melhor o que sobra, ver as condições do salário e aproveitar a diversão de acordo com o que cabe no orçamento. A quitação das dívidas libera a renda total — diz o economista.

Pense nos programas favoritos para suas férias e comece desde já a pesquisar os preços. Assim, dá para visualizar os gastos que podem surgir. Buscar o preço de passagens, lazer, hospedagens e alimentação no local vão ajudar a descobrir o quanto é necessário poupar.

— Quando a gente sabe o quanto a gente pode gastar, a gente tende a não extrapolar! Se, por exemplo, eu gastar mais na acomodação, eu economizo no jantar, ou o contrário. Dá para aproveitar priorizando aquilo que a gente consegue — cita o especialista.

Há um consenso entre os estudiosos de finanças pessoais sobre as compras da Black Friday: impulsos podem levar a más aquisições. Ou seja, a primeira regra da Black Friday é adquirir somente o que já estava no planejamento. Assim como na dica anterior, o ideal é monitorar, com antecedência e constância, os preços dos produtos que estão na lista de necessidades.

Caso encontre uma boa oferta na Black Friday, realmente vantajosa perante aos preços anteriores, aí sim vale a pena comprar — principalmente se for com um dinheiro extra, no caso de quem já está com a primeira parcela do 13º na mão.

O recebimento de uma boa quantia como o 13º torna o momento excelente para começar a poupar dinheiro. Schneider recomenda começar com essa fatia maior, além de um depósito que consiga ser mantido mensalmente.

— Com o 13º salário e um percentual da renda, ao invés de pagar juros, você vai receber juros. Eu recomendo primeiro construir uma reserva de emergência. É excelente saber que se algo acontecer, a reserva está lá, sem existir nenhum transtorno financeiro. A partir do momento que temos uma reserva, não dependemos do dinheiro.

Claro que o chocolate depois do almoço e a cervejinha do fim de semana são dádivas merecidas pelo trabalhador, e cortá-las do orçamento está fora de cogitação! No entanto, em prol de um bem maior - e férias deliciosas - diminuir esses pequenos gastos do dia a dia ou até mesmo suprimi-los por um curto período de tempo podem impactar de forma grandiosa a quantia planejada para a viagem de fim de ano.

— Pequenos gastos acumulados como um café, um refrigerante, levar comida de casa ao invés de comer na rua, salão de beleza, serviços de streaming (uma opção é ter um só, ao invés de vários ao mesmo tempo), academia não frequentada podem fazer a diferença. Um refrigerante de R$ 7 todos os dias, considerando cinco dias de trabalho, são R$ 35 por semana. Em um mês, são R$ 140. Isso pode significar um passeio a mais — exemplifica Rodrigo Correa.

O cartão de crédito geralmente possui mais benefícios do que o de débito, mas podem levar o consumidor a gastar mais do que deveria. Correa aconselha o uso do débito para visualizar a disponibilidade do saldo diariamente.