Financiamento de ricos para transição verde dos pobres está muito aquém do necessário, diz ONU

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GLASGOW, ESCÓCIA — Os custos para a adaptação aos impactos climáticos nos países em desenvolvimento são substancialmente maiores do que os atuais fluxos públicos de recursos — e a lacuna está aumentando. O crescimento dos impactos climáticos é muito superior aos esforços de adaptação dos países. A estimativa dos custos de adaptação é de algo próximo a US$ 140 bilhões a US$ 300 bilhões por ano até 2030 e US$ 280 bilhões a US$ 500 bilhões anuais até 2050, apenas para os países em desenvolvimento.

Estas são algumas das principais mensagens da sexta edição do “Adaptation Gap Report 2021 — The Gathering Storm” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma, lançado na COP26 na sexta-feira em Glasgow.

O fluxo de financiamento climático para países em desenvolvimento para planejar e implementar ações de mitigação e adaptação chegou a US$ 79,6 bilhões em 2019. Os pacotes de estímulo à retomada das perdas da pandemia também estão se tornando uma oportunidade perdida para financiar a adaptação ao clima.

Poucos estímulos fiscais

Menos de um terço dos 66 países analisados pelo relatório financiou, até junho, medidas de ação na pandemia relacionadas a riscos climáticos. Estímulos fiscais de US$ 16,7 trilhões foram aplicados em todo o mundo, mas apenas uma pequena parte desses recursos teve como alvo a adaptação à crise climática.

“Enquanto isso, o aumento do custo do serviço da dívida, combinado com a diminuição das receitas governamentais, pode dificultar os gastos futuros do governo com a adaptação”, diz o relatório batizado de algo próximo a “Tempestade em formação”.

A adaptação à mudança climática recebe, tradicionalmente, menos recursos e menos atenção nas negociações internacionais do que os esforços de mitigação.

Cortar gases-estufa é o foco principal dos países ricos. Buscar adaptação aos impactos — e recursos para isso — é o foco dos países em desenvolvimento.

"Mesmo que fechássemos a torneira das emissões de gases-estufa hoje, os impactos da mudança climática estariam conosco por muitas décadas. Precisamos de uma mudança radical na ambição de adaptação para financiamento e implementação, a fim de reduzir significativamente os danos e perdas decorrentes da mudança climática. E precisamos disso agora”, diz Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma na nota à imprensa.

"O mundo precisa ampliar o financiamento público da adaptação através de investimentos diretos e da superação das barreiras ao envolvimento do setor privado”, diz o Pnuma.

“É preciso ter uma implementação mais forte de ações de adaptação para evitar ficar para trás na gestão dos riscos climáticos, particularmente nos países em desenvolvimento”, recomenda a agência ambiental.

Adaptação vagarosa

O relatório, contudo, diz que a preocupação vem sendo cada vez mais incorporada na política e no planejamento dos países. Cerca de 79% dos países adotaram pelo menos um instrumento de planejamento da adaptação em nível nacional — um aumento de 7% desde 2020.

A implementação de ações de adaptação cresce lentamente, com os dez principais doadores financiando mais de 2.600 projetos com foco principal na adaptação entre 2010 e 2019.

O relatório conclui que é necessária mais ambição para progredir no planejamento, no financiamento e na implementação da adaptação em nível nacional em todo o mundo.

(Daniela Chiaretti viajou a convite do Instituto Arapyaú)

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