Congresso peruano aceita renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski

Lima, 23 mar (EFE).- O Congresso peruano aceitou a renúncia apresentada pelo presidente Pedro Pablo Kuczynski em meio a uma crise política que será resolvida nesta sexta-feira com a posse do vice-presidente Martín Vizcarra.

A aceitação da carta de renúncia foi aprovada hoje com 105 votos a favor, 12 contra e quatro abstenções, depois que a Junta de Porta-Vozes Legislativos chegou a um acordo sobre os termos nos quais aceitam a renúncia e declaram a vacância da Presidência da República.

A resolução do Congresso acrescentou, no entanto, que a maioria dos legisladores "deplora e rejeita os fatos e qualificativos que o senhor Pedro Pablo Kucyznski apresenta em sua carta de renúncia", já que "ele não admite que a crise política atual que o levou a renunciar é consequência de seus atos".

"Por esse motivo, (o Congresso) aceita a renúncia e declara a vacância da Presidência e, em consequência, que sejam aplicadas as normas de sucessão estabelecidas no artigo 115 da Constituição Política do Peru", concluiu a resolução.

Kuczynski apresentou sua renúncia pressionado pelo Congresso, diante das evidências, em gravações de vídeo e áudio, das tentativas de seus aliados políticos - pelo menos um funcionário e um ministro - de comprar o voto de um legislador opositor para impedir sua destituição por seus vínculos com a construtora Odebrecht.

Em sua carta de renúncia, apresentada na quarta-feira, Kuczynski afirmou que tomava essa decisão devido ao "clima de ingovernabilidade" que, segundo ele, afeta o país e "não o permite avançar".

Além disso, o presidente denunciou a "grave distorção do processo político" causada pela divulgação dos vídeos e áudios que, segundo ele, o faziam "parecer injustamente como culpado de atos" nos quais ele não tinha participado.

Kuczynski argumentou que, desde que assumiu o poder, em 28 de julho de 2016, agiu sempre "dando o melhor" de si, "apesar da constante obstrução e dos ataques" dos quais foi "alvo por parte da maioria legislativa", que é controlada pelo partido fujimorista Fuerza Popular.

O plenário do Congresso aceitou hoje a renúncia de Kuczynski depois que o presidente do parlamento, o fujimorista Luis Galarreta, ratificou que, de qualquer maneira, aconteceria "a transição democrática", após a polêmica causada por um documento publicado hoje pela imprensa, no qual Kuczynski era acusado de "traição à pátria".

Após conhecer os termos desse documento, Kuczynski o considerou "inaceitável" e ameaçou retirar sua renúncia para se submeter a um processo de impeachment se o Congresso não aceitasse os termos de sua carta de renúncia.

Galarreta enfatizou que esse documento era uma minuta e acrescentou que, após aceitar a renúncia de Kuczynski, o Legislativo convocará o vice-presidente para que tome posse do cargo de chefe de Estado.

Vizcarra está neste momento em sua residência e nos próximos minutos deverá se deslocar até a Chancelaria, onde será convidado por uma comissão legislativa para comparecer à sede do parlamento e tomar posse como presidente. EFE