Fiocruz aponta politização como desafio para combate à Covid-19

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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 12.02.2021 - Funcionários da Fiocruz trabalham na etapa de envase da vacina Oxford/Astrazeneca,  no Instituto Bio-Manguinhos. ( Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 12.02.2021 - Funcionários da Fiocruz trabalham na etapa de envase da vacina Oxford/Astrazeneca, no Instituto Bio-Manguinhos. ( Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em balanço divulgado nesta quinta-feira (23), a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) apontou o processo de politização, com propagação organizada de fake news, como um dos três desafios a serem superados em 2022 para enfrentamento da pandemia no Brasil.

"Este processo tem combinado a desvalorizacao de medidas preventivas fundamentais de protecao -como distanciamento fisico e social, o uso de mascaras e a higienizacao das maos- com a propagacao organizada de fake news e a criacao de um clima de descredito e desconfianca em relacao as vacinas", diz a Fiocruz.

No documento -cujo título é "um balanco da pandemia em 2021 em um cenario de incertezas e falta de dados"-, a Fiocruz cita as recentes ameaças a diretores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como exemplo do que chamou de "processo de politizacao das medidas de enfrentamento da pandemia para a protecao da saude e da vida da populacao brasileira".

Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL) -que prometeu divulgar o nome dos diretores da Anvisa favoráveis à vacinação infantil-, a Fiocruz chamou de lamentáveis os ataques à diretoria da agência.

"Em seu mais recente, triste e lamentavel episodio, tivemos os inaceitaveis ataques a Anvisa, seus diretores e funcionarios, quando da aprovacao de vacina necessaria e fundamental para a imunizacao de criancas e para a reducao da transmissão do virus", diz.

Segundo o balanço, a Anvisa agiu de forma tempestiva e embasada nas melhores evidências disponíveis sobre eficácia e segurança ao aprovar o uso da vacina pediátrica da Pfizer/BioNTech na população de 5 a 11 anos, permitindo ao Ministério da Saúde avançar no planejamento para operacionalizar a imunização desse grupo com a maior celeridade possível.

A vulnerabilidade dos sistemas de informacoes em saude também é apontada como desafio.

"As falhas na divulgacao de dados sobre a pandemia nao sao so decorrentes do ataque hacker sofrido pelos portais e sites do Ministerio da Saude, mas combinam vulnerabilidades e fragilidades em todo o processo, que se inicia com preenchimento dos formularios nos estabelecimentos de saude e municipios", diz.

As incertezas acerca da variante ômicron configuram, segundo a Fiocruz, outro obstáculo a ser superado.

"A variante ômicron ja esta em quase 90 paises do mundo, tem alta transmissibilidade e entra no Brasil em meio a um 'apagao' de dados, o que e grave e tem de ser enfrentado como tal, e a mais um ataque as medidas de enfrentamento da pandemia neste momento: as vacinas para as criancas", diz.

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