Fiocruz: Pela 1a vez na pandemia, país inteiro apresenta situação crítica por conta da covid

Ana Paula Ramos
·3 minuto de leitura
Unconscious and intubated Covid-19 patients are treated in Vila Penteado Hospital's ICU, in the Brasilandia neighborhood of Sao Paulo, on June 21, 2020. According ta a study published in June 21st, Brazil's public hospitals, like Vila Penteado, had almost 40% death rates from the new coronavirus, the double from private hospitals. Brasilandia is one of the neighborhhods in Sao Paulo with highest number of deaths from Covid-19 (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
Taxa de ocupação de leitos de UTI está acima de 80% em 20 unidades da federação (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)

A Fiocruz publicou na terça-feira um boletim especial alertando que, pela primeira vez do início da pandemia, o país inteiro apresenta piora de indicadores da covid-19.

A fundação analisou crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de síndrome aguda respiratória grave (SARG), alta positividade de testes e sobrecarga dos hospitais. Até então, a doença se apresentava em estágios diferentes anos estados.

Leia também

"Aconteceram eventos em 2020 que causaram surtos, como alguns feriados. Mas agora não se trata disso. É uma transmissão sustentada em outro patamar que atinge o país inteiro", afirma o sanitarista Christovam Barcellos, um dos autores do boletim.

O cenário alarmante representa apenas “a ponta do iceberg de um patamar de intensa transmissão no país", destaca a análise.

Com 20 unidades da federação com taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%, eles defendem a necessidade de “adoção ampla de medidas não farmacológicas”.

Segundo a Fiocruz, seriam:

  • Manutenção de todas as medidas preventivas (distanciamento físico, uso de máscaras e higiene das mãos) até que a pandemia seja declarada encerrada.

  • Adoção de medidas mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais, de acordo com a situação epidemiológica e capacidade de atendimento de cada região, avaliadas semanalmente a partir de critérios técnicos, como taxas de ocupação de leitos e tendência de elevação no número de casos e óbitos.

  • Implementação imediata de planos e campanhas de comunicação com o objetivo de esclarecer a população e reforçar a importância das medidas de prevenção e da vacinação.

Para o sistema de saúde e ações econômicas, estão:

  • Reconhecimento legal do estado de emergência sanitária e a viabilização de recursos extraordinários para o SUS.

  • Ampliação da capacidade assistencial em todos os níveis, incluindo leitos clínicos e de UTI para Covid-19 combinada com proteção, capacitação e valorização dos profissionais de saúde.

  • Aceleração da vacinação para toda a população coordenada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do SUS.

  • Aprovação de um Plano Nacional de Recuperação Econômica, com retorno imediato do auxílio financeiro emergencial enquanto durar o estado de emergência, combinado com as políticas sociais existente de proteção aos mais pobres e vulneráveis.

"Os dados consolidados para o país confirmam a formação de um patamar de intensa transmissão da Covid-19. Se até este momento mais de 255 mil pessoas morreram por Covid-19, em alguns casos sem acesso à assistência e ao direito à saúde previsto na Constituição Federal, nas últimas semanas foram registradas as maiores médias de óbitos por semana epidemiológica e nos dias 13 e 28 de fevereiro pela primeira vez tivemos mais de 1.200 óbitos registrados em um único dia. Na última semana epidemiológica (21 a 27 de fevereiro) foram registrados uma média 54.000 casos e 1.200 óbitos diários por Covid-19", afirma o boletim.

No momento, 20 unidades da federação apresentam taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 80%:

Porto Velho (100%), Rio Branco (93%), Manaus (92%), Boa Vista (82%), Belém (84%), Palmas (85%), São Luís (91%), Teresina (94%), Fortaleza (92%), Natal (94%), João Pessoa (87%), Salvador (83%), Rio de Janeiro (88%), Curitiba (95%), Florianópolis (98%), Porto Alegre (80%), Campo Grande (93%), Cuiabá (85%), Goiânia (95%) e Brasília (91%).

Cinco capitais estão com taxas superiores a 70%:

Macapá (72%), Recife (73%), Belo Horizonte (75%), Vitória (75%), São Paulo (76%).