Fiocruz produz em tempo recorde insumos para testes da varíola dos macacos

Com o registro de casos suspeitos da varíola dos macacos no Brasil, além da confirmação ontem de um diagnóstico em São Paulo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) produziu, em uma semana, insumos de testes moleculares para detectar a presença do vírus monkeypox. Os esforços em tempo recorde acontecem na realidade em que não há muitos testes disponíveis, uma vez que a doença era rara fora dos poucos países onde é endêmica. Por isso, identificar a infecção pode levar semanas e ser um dos desafios para controle da disseminação.

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Nessa primeira leva, a Fiocruz entregou duas remessas de reagentes. Uma para a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), que distribuirá o material para ao menos 20 outros países. Os demais insumos foram distribuídos aos laboratórios brasileiros públicos de referência selecionados para identificação da varíola dos macacos no Brasil pelo Ministério da Saúde.

“Essa ação estratégica, iniciada após o aprendizado na cadeia de suprimentos vivenciado na emergência da Covid-19, hoje se materializa no fortalecimento do arranjo produtivo local e amplia a capacidade de resposta nacional frente a emergências de saúde pública. Com isso, damos um importante passo para a autonomia e a independência na produção local de testes de diagnóstico”, afirmou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, em nota.

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Os insumos foram elaborados em tempo recorde – apenas uma semana. No Brasil, são quatro laboratórios de referência que receberão o material. O Laboratório de Biologia Molecular de Vírus do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ; o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) Fundação Ezequiel Dias, de Minas Gerais; o Lacen Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, e o Laboratório de Referência em Enterovírus, do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz.

A fundação explica que o controle positivo que será feito com os insumos é importante para garantir a confiabilidade do teste molecular para a varíola dos macacos, que utiliza a tecnologia de PCR, assim como um daqueles usadoss para a Covid-19.

“Utilizamos matéria-prima e nossa expertise no desenvolvimento de kits para diagnóstico, somado ao que está publicado pela literatura científica internacional, para produzir as reações com qualidade e que possibilitem o diagnóstico molecular preciso e seguro do vírus Monkeypox”, explica o gerente de Desenvolvimento Tecnológico do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), instituição da Fiocruz responsável pelos testes, Fabricio K. Marchini, em nota.

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1º caso no Brasil e mais de mil pelo mundo

O primeiro caso brasileiro da doença foi confirmado ontem na cidade de São Paulo num homem de 41 anos que viajou à Espanha, segundo país mais afetado pelo surto.

Ele está em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na Zona Oeste da capital. O Lacen Instituto Adolfo Lutz está analisando a amostra para realizar a contraprova e confirmar que se trata da varíola dos macacos.

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Também nesta quarta-feira, a OMS informou que já foram registrados mais de mil casos da varíola dos macacos em países de fora da África Central e Ocidental – onde o vírus é endêmico. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reconheceu, em coletiva de imprensa, o risco de a doença se estabelecer nesses locais.

"O risco da varíola dos macacos se estabelecer nos países não endêmicos é real, mas esse cenário pode ser evitado", afirmou o diretor, e completou: "Já foram notificados à OMS mais de 1.000 casos confirmados de varíola do macaco em 29 países em que a doença não é endêmica"

Porém, nenhuma morte pela doença foi identificada nesses países, destacou a OMS.

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