'Fiocruz receberá a tecnologia para fabricar remédio profilático para Covid', diz executiva internacional da AstraZeneca

A AstraZeneca e a Fiocruz estão negociando a transferência de tecnologia do Evusheld, o primeiro remédio profilático para Covid-19 destinado a imunossuprimidos ou alérgicos aos imunizantes. O medicamento foi aprovado pela Anvisa no início deste ano e recentemente passou a ser usado no Brasil na rede privada. Com o parceria, a instituição brasileira será a primeira a fabricar o remédio no mundo, além da própria farmacêutica.

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Em entrevista ao GLOBO, Iskra Reic, vice-presidente executiva de Vacinas e Imunologia da AstraZeneca, afirmou que o este novo acordo é reflexo do trabalho bem-sucedido da Fiocruz ao longo da pandemia. Com a fabricação nacional, o governo brasileiro poderá comprar o medicamento diretamente da Fiocruz, assim como ocorre com a vacina contra a Covid-19. Esse processo diminui os custos, já que não será preciso pagar taxas de importação.

Em que pé estão as negociações da AstraZeneca na transferência de tecnologia do remédio profilático de Covid para Fiocruz?

Um memorando de entendimento foi assinado e estamos explorando as melhores maneiras de fazer essa transferência. Quando tudo for acertado, a Fiocruz receberá a tecnologia para fabricar remédio profilático para Covid. Mais do que produzir o medicamento localmente, este processo beneficiará a Fiocruz pela obtenção de uma nova tecnologia para a instituição, e consequentemente, para o Brasil.

Há expectativa de quando a produção do Evusheld começa no Brasil?

Esses detalhes ainda serão estabelecidos, mas estamos em contato com a Conitec para viabilizar a entrada deste tratamento no SUS.

Por que a Fiocruz foi escolhida para a produção?

Isso só foi possível devido ao sucesso da vacina contra a Covid-19. Sem a Fiocruz não seríamos capazes de entregar quase 3 bilhões de doses de vacinas, sendo 130 milhões só no Brasil, ajudando a salvar milhares de vidas. Estamos satisfeitos em ver a parceria se expandido e garantindo benefícios aos pacientes brasileiros. Esse novo acordo será uma vitória para todos. Estamos construindo uma rede global de fornecimento para garantir que tenhamos parceiros e fornecedores em todo o mundo que nos ajudarão a ofertar o Evusheld. O Brasil é um importante aliado na missão da AstraZeneca de tornar as ferramentas contra a Covid-19 mais acessíveis. Esperamos que essa nova parceria alavanque e expanda ainda mais nossos resultados na luta contra o coronavírus.

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Qual é o mecanismo de ação de um remédio profilático para Covid?

Ele é composto pela junção de cilgavimabe e tixagevimabe, e sua aplicação é intramuscular. O remédio é um anticorpo monoclonal de longa duração, ou seja, a pessoa recebe um anticorpo "pronto" e fica imediatamente protegida contra a Covid-19. Funciona no esquema de uma dose e protege por pelo menos seis meses. O medicamento pode ser dado a pessoas a partir de 12 anos, que tenham, pelo menos, 40kg, e não reajam bem às vacinas ou não possam tomá-las. Ele é destinado a pessoas alérgicas aos imunizantes disponíveis e a pacientes imunocomprometidos (pessoas em tratamento contra o câncer, transplantados, pacientes em diálise, pessoas com infecção por HIV avançada ou não tratada). Dados mostram que 40% das pessoas internadas com Covid-19 são imunocomprometidas. Por sua atuação, o Evusheld é considerado um medicamento de profilaxia pré-exposição (PrEP), pois deve ser dado antes da infecção para prevenir da doença aquelas pessoas que não podem tomar a vacina ou que não conseguem produzir anticorpos após receberem o imunizante.

A vacina da AstraZeneca é a primeira a ser disponibilizada nas clínicas de imunização privadas no Brasil. Muitos criticaram a medida, afirmando que poderia atrapalhar o programa de imunização. O que a senhora tem a dizer sobre isso?

Digo que foi um grande passo. Será uma ferramenta importante para impedir ainda mais a transmissão do vírus, especialmente para continuarmos aplicando o reforço. Isso vai ajudar em questões de saúde pública, porque o governo vai poder destinar a vacina para os grupos mais vulneráveis e a população geral poderá se vacinar no particular. Bem parecido como já funciona a campanha contra a gripe no Brasil. A longo prazo, a proteção contra a Covid-19 continuará alta.

No Brasil, pessoas a partir de 50 anos já podem tomar o segundo reforço. Até quando precisamos tomar reforços para ficarmos protegidos?

Essa é a grande questão da atualidade e a resposta sobre até quando precisaremos tomara reforço ninguém sabe. O Brasil foi um país de referência porque realmente começou muito cedo a aplicar a quarta dose, aplicando por segmento, identificando as pessoas que realmente precisam da vacina e fazendo o esquema de imunização cruzada. Isso com certeza fará toda a diferença na proteção de sua população.

Pfizer e Moderna já anunciaram que estão desenvolvendo uma vacina contra a Ômicron. A Astrazeneca planeja criar uma nova vacina contra a Covid-19?

A princípio, não. Recentemente tivemos alguns dados muito bons analisando qual é a eficácia da quarta dose da nossa vacina e os resultados mostram que a proteção contra a Covid-19 é muito alta. Concluímos que o imunizante continua a contribuir quando você a adiciona mais uma dose, independentemente do imunizante que foi tomado antes. E uma das principais perguntas é: quanto tempo a proteção vai durar? O que vimos na nossa vacina é que ela gera uma resposta longa e durável. Os dados mostram que um ano depois de ser administrada, ainda há uma boa imunidade nas vias respiratórias superiores. Saber disso é importante, porque temos a certeza que a nossa vacina é boa para aumentar a imunidade da população diante de uma nova onda de coronavírus.

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