Fiocruz reduz previsão de entrega de vacinas no segundo semestre de 110 para 100 milhões de doses

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RIO — A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reduziu a previsão de entrega de vacinas contra a Covid-19 no segundo semestre de 110 milhões para 100 milhões de doses. Anteriormente, a estimativa era que o total fosse produzido com IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) nacional. Agora, a projeção é que sejam entregues 50 milhões de imunizantes com produção 100% nacional e mais 50 milhões com insumo importado, que está sendo negociado.

A informação foi divulgada por Maurício Zuma, diretor de Bio-Manguinhos e por Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, em coletiva nesta quarta-feira.

Segundo Trindade, a projeção anterior de 110 milhões de doses com produção 100% nacional era uma estimativa que foi feita a partir de dados disponíveis antes mesmo de a vacina desenvolvida por Oxford/AstraZeneca ter sido aprovada.

— Houve problemas em vários sítios de produção, por ser uma tecnologia nova. São coisas que só no processo de desenvolvimento é possível saber — explicou.

Ela afirmou, ainda, que há possibilidade de um hiato nas entregas de doses pela Fiocruz, que têm ocorrido continuamente, nos meses de agosto e setembro, mas que a Fundação está "trabalhando" para que não aconteça.

— Tudo isso vai depender da chegada do IFA, por isso estamos divulgando a estimativa mês a mês desse cronograma mais fino das entregas. Temos que ter clareza de que a situação no mundo é muito difícil em termos de IFA — afirmou.

A Fiocruz recebeu nesta quarta-feira dois bancos, um de células e um de vírus, para a produção do IFA nacional da vacina contra a Covid-19. Os dois componentes compõem a base para a produção do insumo, sendo considerados o "coração" da tecnologia para a produção da vacina, segundo a Fundação.

Com isso, o Brasil poderá produzir o imunizante de Oxford/AstraZeneca sem depender da importação do IFA da China. Mas a produção do insumo nacional passa por uma série de etapas que podem durar "alguns meses", informa a Fiocruz. A previsão é que as primeiras doses da vacina "totalmente nacional" sejam entregues em outubro.

Os bancos de células e de vírus vieram dos Estados Unidos e chegaram nesta manhã, por volta das 8h, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), e seguiram para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), onde o imunizante será produzido.

A chegada ocorre no dia seguinte à assinatura do contrato de transferência de tecnologia pelo Ministério da Saúde na terça-feira, permitindo a produção, pela Fiocruz, dos insumos necessários para a fabricação da vacina de Oxford/AstraZeneca em território nacional.

A Fiocruz informou que o banco de células foi enviado em nitrogênio líquido, mantidos a uma temperatura de aproximadamente -150ºC, e o banco de vírus em gelo seco, a cerca de -80ºC.

Etapas de produção da vacina com IFA nacional:

Produção de dois lotes de pré-validação do IFA nacional (considerando etapas de descongelamento de células, expansão celular, biorreação, rompimento celular e tratamento enzimático, clarificação, purificação, concentração e condicionamento do produto, formulação, filtração final do IFA, congelamento e controle de qualidade do IFA)Produção de três lotes de validação do IFA nacional, considerando as mesmas etapas dos lotes de pré-validaçãoEnvio de amostras do lote de pré-validação de validação para realização de testes de comparabilidade pela AstraZenecaProcessamento final (formulação, envase, rotulagem e embalagem) dos lotes de pré-qualificação e de qualificação do IFAControle de qualidade do produto final, a vacinaSubmissão contínua da documentação dos lotes de IFA nacional à Anvisa para inclusão de local de fabricação do IFA no registro da vacinaA partir da inclusão no registro, início das entregas da vacina nacional para o Ministério da Saúde

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