Fios de PDO ajudam eliminar rugas, mas não há legislação para procedimento

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 08.06.2021 - A toxina botulinca, popularmente conhecida como Botox, que tem sido aplicada cada vez mais cedo, em jovens de cerca de 30 anos, de forma preventiva. (Foto: Rafael Andrade/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 08.06.2021 - A toxina botulinca, popularmente conhecida como Botox, que tem sido aplicada cada vez mais cedo, em jovens de cerca de 30 anos, de forma preventiva. (Foto: Rafael Andrade/Folhapress)

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Conhecidos como fios de PDO, os fios de polidioxanona combatem os efeitos da relação entre o tempo e a gravidade na camada mais aparente do corpo: a pele. Prometem reduzir olheiras, as bochechas caídas e o "bigode chinês", além de dar mais arqueamento à sobrancelha, definição aos contornos e firmeza ao tecido.

São a versão mais recente dos chamados "fios de sustentação", um tratamento com anestesia local, mas não cirúrgico, que contribui para melhoria da flacidez e das rugas estáticas - aquelas que estão lá independentemente da movimentação dos músculos.

O procedimento consiste em inserir de quatro a oito filamentos sob a pele para preencher ou reposicionar os tecidos, especialmente a gordura que se desloca no processo de envelhecimento. O tratamento promete naturalidade e custa de R$ 1,5 mil a R$ 6 mil.

De acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), não há legislação específica para o procedimento. Por isso, a organização recomenta cuidado na hora de escolher o profissional que fará o tratamento.

Alessandra Romiti, 49, assessora do departamento de cosmiatria da SBD, afirma que muitas complicações ocorrem por falta de técnica ou má indicação do filamento. "O fio tem risco de complicação, de infecção quanto de mal posicionamento, com resultado anestético e formação de nódulos", diz.

A enfermeira Marilena Lessa, 61, realizou o procedimento há seis meses e não se arrepende, apesar da dor e desconforto inicial. "Conheci [a técnica] pela minha dermatologista. Foi indicada por ela para tratar meu contorno. Me incomodava a gordurinha do buldogue. Melhorou muito", afirma Lessa.

Ela diz que o tratamento precisa de repouso e cuidado com a mastigação de alimentos mais duros. O paciente pode sentir incômodos por cerca de 1 mês até o resultado final - o que é pouco se comparado aos procedimentos cirúrgicos que levam de 6 meses a 1 ano para alcançar estabilidade.

Segundo Romiti, existem os fios de tração e de estimulação de colágeno.

Os de tração podem ser colocados na região perto da bochecha e das sobrancelhas para fazer o efeito de 'lifting' do rosto e ajudar a sustentação. Já aqueles que estimulam a produção de colágeno são lisos, finos e oferecem um tratamento progressivo.

A aplicação não se limita ao rosto e, segundo a dermatologista, a literatura médica traz registros de uso em diversas locais com flacidez, como no pescoço, braços, coxas e até no abdômen.

Feito de material sintético biocompatível, o PDO se diferencia de outros fios mais antigos, como o fio russo ou de ouro, pela capacidade de ser absorvido pelo corpo e menor risco de ruptura. O procedimento pode ser somado a outros tratamentos como a toxina botulínica (conhecida como botóx), preenchimentos com ácido hialurônico e estimuladores de colágeno, por exemplo.

A durabilidade vai depender das características do paciente. Os efeitos dos fios de tração duram alguns meses, já os de colágeno garantem tonicidade que podem ter durabilidade de um a dois anos. A indicação deve ser feita por médicos.

Ana Carulina Moreno, dermatologista da AMB (Associação Médica Brasileira) e da SBD, é especialista em fios de sustentação e afirma que o PDO tem a capacidade de estimular a formação de um novo colágeno, melhorando a qualidade e a espessura da pele.

"Dependendo das características do fio, ele pode ajudar no tratamento da flacidez localizada, no 'preenchimento' de sulcos ou até no reposicionamento de estruturas da face, fazendo um efeito 'lifting' não cirúrgico. E não ficam aparentes", diz.

O PDO é contraindicado, segundo Moreno, para gestantes, pessoas com inflamações na pele e pacientes que já tenham implantes de fios permanentes, além de outras condições a serem avaliadas em consulta médica.

A dermatologista Paula Periquito, que trabalha com fios de sustentação há 15 anos e hoje treina médicos em todo o Brasil para utilizarem o procedimento, afirma que a polidioxanona ganhou notoriedade no mercado brasileiro por ser muito menos invasiva.

"Traz resultados naturais com técnicas mais modernas e de recuperação mais rápida. Tem a capacidade de sustentação inclusive de faces com mais volume, que não se beneficiam de preenchedores ou bioestimuladores tradicionais", declara Periquito.

A professora disse ainda que os fios de PDO de colágeno são ideais principalmente para regiões de tratamento mais difíceis, como pálpebras inferiores e perilabial, com a vantagem de não volumizar a face ou mudar as características do indivíduo tratado.

Periquito alerta que o tratamento com fios de tração não é indicado para pacientes com excesso de pele ou que passaram por processos de perda de peso significativa, uma vez que o plano de ação é a camada de gordura, não a retração imediata de pele. Já o PDO de colágeno pode ser aplicados em todo tipo de pele.