Fique por dentro das melhores apostas do mercado de ações neste semestre

Foto: Fotos Públicas/Rafael Matsunaga

As movimentações macroeconômicas como a queda da taxa Selic e da inflação, assim como o aumento nos índices de confiança mexem com o mercado financeiro. Do mesmo modo que notícias internacionais, principalmente provindas dos Estados Unidos, também influenciam nas ações das empresas por aqui. É um setor de volatilidade alta, por isso, um investimento considerado arriscado e para perfis arrojados.

Se você se encaixa entre os investidores mais agressivos, que gostam de apostar visando altos rendimentos ou quer começar a diversificar, acompanhe abaixo as melhores opções de ações de acordo com especialistas de três corretoras experientes.

Roberto Indech, analista-chefe da Rico Corretora

Listamos cinco ativos que para nós possuem grande potencial de valorização. Seja pelo cenário desafiador, como também pelo cenário micro apresentado até o momento.

Grendene (GRND3) – consumo e varejo: uma das maiores produtoras mundiais de calçados, a empresa é totalmente integrada, com capacidade instalada de 250 milhões de pares/ano. Tem consistência na entrega de resultados, possui privilegiada situação de caixa, é boa pagadora de dividendos e apresenta também viés de exportação, diversificando assim sua base de receita.

Gerdau (GGBR4) – siderurgia: líder no segmento de aços longos nas Américas e uma das principais fornecedoras do mundo. Possui operações industriais em 14 países, somando uma capacidade instalada superior a 25 milhões de toneladas por ano. Apesar de a companhia ter apresentado números operacionais fracos no quarto trimestre de 2016, ela pode se beneficiar do programa de infraestrutura que deve ser anunciado por Trump, tem perspectivas de aumento nos preços de seus produtos e tem políticas antidumping nos Estados Unidos, que podem ajudar a empresa, com potencial de crescimento de volumes.

Petrobras (PETR4) – óleo e gás: além do Brasil, onde é líder do setor petrolífero, está presente em outros 18 países. Sugerimos as ações da estatal porque não acreditamos que os preços do petróleo recuem drasticamente além do nível atual de cerca de US$ 50/barril, também pela mudança de postura da gestão após Pedro Parente assumir como presidente da companhia. Ainda pela perspectiva de estabilidade ou até continuidade de valorização do real ante o dólar, melhorando o perfil do fluxo de caixa, pela venda de ativos nestes últimos meses que reduziram o preocupante endividamento e pela aprovação recente na Câmara do projeto de mudança de regras de exploração do pré-sal.

Itaú (ITUB4) – bancos: é o maior banco privado do Brasil. Acreditamos que o negócio em geral é rentável, está bem posicionado no setor, devido principalmente aos excelentes resultados apresentados ao longo dos últimos trimestres e pela perspectiva da retomada da economia, priorizando a estabilidade ou queda da taxa de inadimplência, além da expectativa pela redução da taxa Selic.

Ambev (ABEV3) – indústria de bebidas: tem operações em 18 países como: Brasil, Canadá, Argentina, Bolívia, Chile, entre outros. Nos últimos trimestres, a companhia seguiu reportando resultados consistentes, mesmo com o cenário macro desfavorável, o que torna o ativo como um “porto seguro” aos investidores, apesar da queda das ações ao final de 2016. Com isso, a empresa continua a apresentar forte liderança no mercado nacional de cerveja, consistência nos resultados operacionais, elevada geração de caixa e forte confiança do mercado no management.

Marco Saravalle e Bruna Pezzin, analistas da XP Investimentos

ITUB4: o Itaú Unibanco conta com uma gestão competente, voltada para a eficiência em suas operações e geração de valor para os acionistas. O cenário econômico de curto prazo ainda é desafiador (um dos motivos da nossa preferência por companhias com boa gestão). Porém, enxergamos uma leve melhora no ambiente de crédito esse ano e entendemos que o banco está bem posicionado para tirar proveito desse momento.

BBAS3: a melhora no ambiente político, a gestão de Paulo Caffarelli, que traz preocupação maior com governança e retorno, e a melhora no cenário macroeconômico foram fatores determinantes para as ações do Banco do Brasil e, em nossa concepção, ainda podem levar os papéis a patamares ainda maiores em 2017. Vemos potencial de melhora no ROE (retorno sobre patrimônio) em função de fatores como melhora na inadimplência (o Banco do Brasil tem menor exposição a agentes com inadimplência maior), crédito pouco melhor e, principalmente, reversão de provisões.

PETR4: o ambiente para a empresa melhorou significativamente desde o último ano, devido a fatores como troca da presidência, que hoje está engajada com o projeto de privatização de ativos, redução do endividamento e a geração de caixa. A partir de agora, acreditamos que o desempenho das ações estará muito mais sujeito às oscilações nos preços de petróleo e ao “destravamento” da venda de ativos por parte do Tribunal de Contas da União.

ECOR3: temos uma visão construtiva sobre o setor de infraestrutura, que atualmente conta com um número maior de projetos de infraestrutura no radar. Acreditamos que a Ecorodovias esteja bem posicionada para esse momento. Além disso, esperamos que o cenário melhore com a queda nas taxas de juros e na inflação (cerca de 90% da dívida bruta é atrelada ao IPCA e ao CDI), e com a retomada da atividade (tráfego nas rodovias tem correlação com o PIB). No entanto, reiteramos que fatores ligados à economia devem melhorar apenas no segundo semestre do ano.

TIET11: a AES Tietê é uma empresa de geração de energia que apresenta forte geração de caixa, além de satisfatória previsibilidade nos resultados. Duas de suas principais características são o alto retorno sobre o capital (ROIC 22,5% para 2017) e farta distribuição de dividendos. A empresa apresenta patamar de alavancagem bastante reduzido (0,9x dívida líquida), sustentando a expectativa de manutenção do elevado patamar de distribuição dos resultados aos acionistas (o Dividend Yield esperado para 2017 é de 9,1%).

Filipe Villegas, analista da gestora de investimentos Geração Futuro

Com base nos fatores econômicos atuais, os setores que tendem a ser beneficiados são o de construção civil, locação de imóveis, agronegócio, infraestrutura e as empresas boas pagadoras de dividendos, como elétricas e bancárias.

Dentro do setor de construção Civil, MRV Engenharia (MRVE3) segue como uma boa opção após a divulgação de um balanço sólido e boas perspectivas de crescimento. Outras empresas que devem se beneficiar da queda da taxa Selic são as companhias ligadas à locação de imóveis e shoppings como BR Properties (BRPR3) e BR Malls (BRML3), respectivamente.

Com o governo precisando de recursos para cumprir sua meta fiscal, vem ganhando cada vez mais força a regulamentação da compra de terras por estrangeiros e neste contexto as principais beneficiadas seriam BrasilAgro (AGRO3) e SLC Agrícola (SLCE3).

Também aguardado pelo mercado, com intuito de estimular a economia, segue no radar uma nova rodada de concessões de infraestrutura no país com oportunidades para Ecorodovias (ECOR3) e Rumo (RUMO3), sendo esta última uma aposta interessante ainda levando em consideração o crescimento do agronegócio.

Dentro do setor financeiro, mesmo com a sinalização da queda da taxa básica de juros, Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) são boas opções levando em consideração o forte desempenho do setor bancário nos últimos anos e que não deve ser diferente agora que há sinais de uma recuperação da economia.

Sobre o setor de papel e celulose, Fibria (FIBR3), Suzano (SUZB5) e Klabin (KLBN11) são boas opções, sendo negociadas com múltiplos atrativos, porém, pressionadas pela queda dos preços da celulose, na Europa e Ásia, e pelo dólar nos últimos meses. Para investidores com o intuito de diversificação, o setor apresenta boas oportunidades. Importante lembrar que se o ritmo de elevação da taxa de juros nos Estados Unidos for mais forte do que o esperado pelo mercado poderia favorecer o setor no curto prazo.