Fiscalização com satélites e agentes é o modo mais eficiente de poupar a floresta sem travar a agropecuária

Ana Lucia Azevedo

RIO — Nada é tão eficiente para combater o desmatamento quanto a dobradinha de satélites no espaço e fiscais em campo, comprovaram pesquisadores da PUC-Rio. Eles produziram a primeira avaliação quantitativa da efetividade da política de monitoramento e fiscalização na Amazônia. E mostraram uma relação de causa e efeito na proteção da floresta. O estudo surge num momento em que o Brasil registra o maior aumento percentual do desmatamento da Amazônia em duas décadas — 29,5% — e ainda não tem metas e planos oficiais para combatê-lo.

O trabalho foi realizado por cientistas do Climate Policy Initiative (CPI, na sigla em inglês), organização internacional que reúne 90 especialistas em finanças e políticas climáticas, e do Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio. Eles descobriram que a combinação de alertas emitidos pelo Deter/Inpe, que usa satélites para identificar áreas desmatadas, seguida da pronta resposta do Ibama e demais agências de fiscalização evitou a perda de 27 mil km de florestas por ano, de 2007 a 2016, período em que se registrou uma significativa redução da derrubada da mata.