Flamengo aguarda horizonte de retorno dos jogos para emplacar plano de monitoramento em atletas

Diogo Dantas
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Rodrigo Caio no Ninho do Urubu
Rodrigo Caio no Ninho do Urubu

O crescimento dos casos de coronavírus no Brasil e especialmente no Rio fizeram o Flamengo reavaliar a estratégia para retomada de treinos. Sem liberação das autoridades, que já falam em restringir ainda mais a circulação de pessoas na capital e demais localidades, o clube quer aguardar uma data segura para que as atividades e os jogos sejam liberados, de modo a manter o plano de monitorar o elenco com testes semanais.

As análises que aconteceriam ontem e hoje, portanto, foram adiadas. Apenas o uruguaio Arrascaeta, único jogador que ainda não tinha sido avaliado, fez o teste após chegar de viagem. Os demais aguardam orientações da diretoria enquanto tentam manter rotina de treinamentos em casa.

Entusiasta principal para a volta do futebol no Brasil e no Rio, o Flamengo tem algumas pessoas tratando sobre o assunto nos bastidores, e nem todas pensam igual. Há uma ala mais alinhada ao que defende o Governo Federal, de que o futebol precisa retornar logo para reaquecer a economia. Ela é representada pelo trio formado pelo presidente Rodolfo Landim, o vice Rodrigo Dunshee e Bap, vice de relações externas.

Normalmente as decisões sobre o futebol chegam para o vice da pasta, Marcos Braz, e Bruno Spindel, que especificamente as executa. Todos os citados participam de debates internos, o que se repetiu desta vez. A eles, se soma o técnico Jorge Jesus. Os membros do futebol, incluindo comissão técnica e jogadores, são reticentes para a volta dos trabalhos desde o fim de abril.

Entre os argumentos, o principal volta agora: não há razão para se promover uma aglomeração se não existe indícios de quando o futebol vai voltar no Brasil. Mesmo assim, a ala que leva em conta o viéis econômico obteve retorno positivo do departamento médico quanto aos protocolos de saúde e segurança. O chefe médico Márcio Tannure liderou os processos junto à Ferj e à CBF. E o clube investiu na criação de uma zona de imunidade, com testes semanais em atletas, funcionários e familiares.

Com tudo pronto, aguarda não só o aval das autoridades de saúde, como juridicamente quer respaldo para voltar a treinar mesmo que os decretos do Governo e da Prefeitura do Rio indiquem claramente o contrário. A subida do número de mortes no Estado frearam o ímpeto para o retorno nos últimos dias e as vozes em tese mais sensatas ganharam mais eco na Gávea.

Mesmo assim, o Flamengo assinou, no fim de semana, carta dos clubes cariocas com a Ferj, pedindo a volta o mais breve possível. Antes, já estava definido que semanalmente haveria testes para a Covid-19. Agora, a tendência é que eles sejam retomados quando houver um horizonte para o retorno das atividades de futebol. Com a divulgação de 38 resultados positivos para a Covid-19, includindo três jogadores do elenco principal, após a realização de 293 testes, o Flamengo tenta criar uma bolha de imunidade. Mas na hora certa.