Flamengo e Grêmio brigam pelo posto de melhor da década na Série A

João Pedro Fonseca
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Nesta reta final de Campeonato Brasileiro, o rival do Flamengo é o Internacional. Mas um olhar a longo prazo credencia outro clube gaúcho a um duelo paralelo com os cariocas: o Grêmio disputa com o rubro-negro o posto de melhor time da última década na Série A.

Hoje, a vantagem do tricolor é de somente um ponto. Ou seja, mesmo sem maiores pretensões a esta altura do campeonato, o Grêmio visita o Bragantino na rodada final para confirmar esse feito simbólico. Já o Flamengo, além da óbvia busca pelo título brasileiro, ratificaria sua posição como a principal força do país.

É representativo — e também um sinal para o futuro — que os dois liderem a lista. São clubes que, nos últimos anos, apostaram em modelos de gestão financeiramente responsáveis. Se o rubro-negro conta com as maiores receitas, o Grêmio ilustra que, sem a mesma pujança, é possível ser efetivo construindo um projeto esportivo sólido.

O roteiro rubro-negro é aquele que já se conhece, iniciado em 2013 com a intenção de sanear as dívidas e limpar a imagem do clube para maximizar receitas. Num momento inicial, esse esforço resultou em times limitados, que, no primeiro triênio, fizeram 48,6 pontos em média. Mesmo que perca para o São Paulo, esse índice saltará para 77,6 pontos nos últimos três anos.

Taças impulsionam Timão

Já o tricolor impressiona pela consistência, uma virtude que compensa o fim de mais uma década sem título do Brasileirão. A estatística gremista poderia impressionar ainda mais se tantas vezes na gestão Renato Gaúcho o clube não tivesse deixado a principal competição nacional de escanteio, enquanto se dedicava aos torneios mata-mata.

O time que fecha o pódio, o Corinthians, está longe da solidez financeira, mas conseguiu por três vezes (2011, 2015 e 2017), mais que todos os rivais, ficar com a taça. E só perdeu as primeiras posições deste ranking porque suas campanhas mais recentes foram frustrantes.

Outro protagonista no cenário nacional nos últimos anos, o Palmeiras aparece apenas em oitavo. Bicampeão no período, o alviverde teve uma primeira metade de década muito ruim, com uma queda para a Série B em 2012.

Ser rebaixado, aliás, tem impacto direto nesta relação, não apenas porque o time deixa de pontuar por um ano, mas porque o descanso é logicamente precedido por uma temporada de aproveitamento ruim.

O ranking detalhado ilustra ainda como os últimos anos foram duros para Botafogo e Vasco, os piores entre os 12 grandes e atrás do Athletico. O cruz-maltino, que disputará a segunda divisão pela quarta vez, acumula um déficit impressionante de 220 pontos em relação ao Grêmio — numa conta imprecisa, é como se tivesse vencido 73 jogos a menos.