Flamengo estreia na Libertadores atrás de melhor campanha na fase de grupos e na história

Diogo Dantas
Gabigol é o nome para ir em busca dos recordes

O torcedor que pensa no Flamengo campeão da Libertadores ano passado pode até esquecer de quão difícil foi passar da primeira fase, ainda sem Jorge Jesus no comando. No clube, o histórico recente não dá espaço para oba-oba. O rubro-negro estreia hoje pelo grupo A, às 21h30, diante do Junior Barranquilla, na Colômbia, entre a cautela e a afirmação que a fase de grupos exige. Não há meta de pontos a conquistar, mas a ideia é fazer a melhor campanha de todos os tempos, na primeira e segunda fases.

Fato é que o Flamengo quer deixar para trás de uma vez as eliminações precoces que se repetiram nas primeiras participações do século, desde 2002, passando por 2012, 2014 e 2017. A hora é de consolidar o favoritismo que o título lhe proporciona, e seguir ao mata-mata sem sustos. Diferente do que ocorreu nas últimas edições, quando a classificação veio no último jogo. Tudo isso sem Bruno Henrique e Rodrigo Caio, lesionados, e Arão, suspenso. Os substitutos não foram divulgados, mas Michael, Gustavo Henrique e Thiago Maia são favoritos.

Em 2019, o rubro-negro voltou a uma final de Libertadores e foi campeão depois de 38 anos, mas não sem antes sofrer para ir às oitavas. Pelo grupo D, a campanha de 10 pontos, com três vitórias, um empate e duas derrotas, colocou a equipe ainda sob o comando de Abel Braga na primeira posição pelo saldo de gols. Mas a campanha foi apenas a sétima entre os 16 times que avançaram. A fase de grupos terminou com um empate sem gols fora de casa, diante do Peñarol, do Uruguai, com um jogador a menos e drama até o fim.

Na ocasião, o Palmeiras fez a melhor campanha, com cinco vitóirias em seis jogos. Quinze pontos já seria uma meta interessante para o Flamengo, mas não o recorde, claro. O Boca Junior, em 2015, o Santos, em 2007, e o Vasco, em 2001, venceram todas as seis partidas e atingiram 18 pontos neste século. Nenhum dos três, contudo, foi campeão na ocasião. Nos últimos anos, apenas Atlético-MG, em 2013, e River Plate, em 1996, conquistaram a Libertadores com a melhor campanha na fase de grupos.

Em 1981, ano de seu primeiro título, o Flamengo também fez apenas dez pontos, com duas vitórias e quatro empates em um grupo com Atlético-MG, Olímpia e Cerro Porteño do Paraguai. Antes de erguer a sua segunda taça, mesmo se classificando de forma dramática, o Flamengo viveu situação delicada também em 2018, quando parou nas oitavas de final para o Cruzeiro. O time se classificou como segundo do grupo, também no último jogo. Na época, o rubro-negro foi à Argentina em busca da primeira colocação da chave, mas sofreu com os desfalques e não passou de um empate por 0 a 0 com o River Plate, terminando com dez pontos. Naquele ano, o Palmeiras também teve a melhor campanha, com 16.

Dificuldades pela frente

Para atingir esse patamar de pontuação, o Flamengo precisa vencer além do Junior Barranquilla dois clubes equatorianos. O Barcelona e o Independiente Del Valle, este último na altitude. Os adversários têm em comum uma rota complicada de voo de cerca de seis horas para o Flamengo jogar fora de casa. É o que mais asssuta a comissão técnica e a diretoria, que não imagimam vida fácil, pelo contrário.

— Temos atenção a todos os adversários. São viagens longas para nós. Temos que adaptar, lidar com o favoritismo que todos estão dizendo. Vamos buscar a classificação, mas é um grupo complicado. Isso (favoritismo) se faz dentro de campo, mas claro que o Flamengo tem muita visibilidade pelo que fizemos no ano passado. Mas não podemos cair nessa armadilha — disse o goleiro Diego Alves, que vai para a sua terceira Libertadores no Flamengo.

Outro dado que indica cuidado é o retrospecto não tão brilhante da equipe de Jorge Jesus diante de times estrangeiros. São sete jogos do português desde o ano passado, nenhum na fase de grupos da Libertadores. O último duelo foi com o Del Valle na final da Recopa, com um empate e uma vitória, no fim de fevereiro.

O Mister só estreou na atual competição nas oitavas de final, diante do Emelec, também do Equador. Depois de perder a primeira e vencer a segunda partida, ambas com o placar de 2 a 0, o Flamengo passou nos pênaltis. E só voltou a encontrar um time estrangeiro na final única com o River Plate - vencida por 2 a 1. No Mundial de Clubes, o time de Jesus venceu o Al-Hilal por 3 a 1 e empatou sem gols com o Liverpool. Agora, ainda mais reforçado, o Flamengo segue confiante no que o técnico português prepara como novidade para a atual temporada.

— Nós seguimos nosso trabalho, mantivemos a base, com reforços. A cada ano, com as conquistas, tudo fica mais difícil. Temos que fazer o que pede o mister. Vamos seguir nessa linha. Sempre pensamos na próxima partida.