Flamengo, Maceió e Rio de Janeiro: primo mais novo lembra histórias de Zagallo

O dia 9 de agosto marca o nascimento de Mário Jorge Lobo Zagallo. (Reprodução / Arquivo Pessoal)

Por Josué Seixas (@josue_seixas) e Rafael Brito (@rafaelbritom)

O dia 9 de agosto marca o nascimento de Mário Jorge Lobo Zagallo. Foi no bairro do Mutange, em Maceió, que a história do maior vencedor do futebol brasileiro começou. Filho de um trabalhador da fábrica Alexandria, Zagallo só passou oito meses na capital de Alagoas.

A família teve de ir ao Rio de Janeiro, representando a fábrica de tecelagem, e foi lá que construiu parte de suas origens. O homem que contou, ao Yahoo! Esportes, histórias de Zagallo se chama Luis Eduardo Zagallo Lobo, chamado carinhosamente de Lula pelo Velho Lobo.

Leia também:

Nesta sexta-feira, outra pessoa na família também faz aniversário e foi com isso que ele iniciou a entrevista. “Por obra do destino, tenho uma filha que também nasceu hoje. Laura Maria Zagallo Lobo está fazendo 25 anos nessa sexta-feira”, disse.

Ele e Zagallo mantém contato e, segundo Lula, o Velho Lobo está bem. “Falo sempre com ele e com o filho dele. Está morando em um apartamento mais compacto, mas com a saúde muito boa, só com um leve problema de circulação nas pernas. A memória está lá, preservada, ainda bem. Ele fala que adora Maceió e já veio várias vezes”.

Numa dessas vindas, inclusive, está a história mais viva na mente de Lula. O Flamengo disputava a Copa dos Campeões e o ano era 2001. Havia vencido o Bahia por 2 a 0, no Estádio Rei Pelé, e os dois primos se encontraram. Zagallo, então técnico do Flamengo, estava feliz de disputar uma competição que passava por sua cidade de origem.

"A última comemoração como treinador será sua, Lula" - A frase que Zagallo poderia ter dito

No dia 29 de junho daquele ano, o Velho Lobo fez uma promessa a Lula.

“Ele me disse: ‘Se o Flamengo for campeão, vou comemorar em seu quiosque’. Só que, antes disso, eu já tinha preparado tudo no meu quiosque para receber a torcida do Flamengo. Virou um point do pessoal. Até o técnico do Bahia chegou a visitar. A promessa de aniversário ficou na minha cabeça”, contou Lula.

O nervosismo tomou conta. Um dia depois, o Flamengo empataria com o Cruzeiro, no Rei Pelé, e venceria por 3 a 0 em João Pessoa alguns dias depois. A final começou em julho. Na primeira partida, 5 a 3 para o Flamengo contra o São Paulo, em João Pessoa. Já no dia 11 de julho, veio a aflição. O Flamengo perdeu por 3 a 2, no Rei Pelé, mas foi o campeão. Esse foi o último título de Zagallo como treinador.

“Eu assisti ao jogo da barraca. Ele me convidou, mas eu preferi não ir por causa do estabelecimento que estava aberto. Eu estava altamente nervoso para que ele fosse vitorioso e eu também. O Zagallo, que nunca comemorava vitórias em lugares assim, me deu de aniversário esse presente. Eu fiquei sem reação. Fechamos a rua, o trânsito parado, coisa de louco. Na época, com o movimento que eu tive por causa do Flamengo e do Zagallo ser minha família, eu consegui comprar um carro zero”, comemorou.

Ao primo, um abraço e um elogio

Zagallo chegou no Rio de Janeiro aos oito meses e por lá ficou. O pai dele, Aroldo, era de um clube de futebol e, no mesmo gramado, o ainda menino Zagallo começou a ensaiar as jogadas que o consagrariam campeão mundial em 58 e 62. Formou-se em Contabilidade, por pressão da mãe.

“A mãe dele sempre exigiu que ele estudasse e que não jogasse futebol. Naquela época, jogar futebol era coisa de maloqueiro. Como nossa família era tradicional, ele tinha que ir contra a vontade dela para jogar. Tornou-se o que se tornou por causa disso. Representou nosso país e ajudou a levar nossa nação ao auge”.

Aos 88 anos, Zagallo é história do Brasil. Participou de cinco finais em sete Copas do Mundo com a seleção brasileira. Ganhou duas como jogador (58 e 62), uma como técnico (70) e outra como assistente técnico (94).

Siga o Yahoo Esportes: Twitter | Instagram | Facebook | Spotify | iTunes | Playerhunter