Flamengo não enfileira goleadas em mata-matas de Libertadores há 30 anos. Entenda o que mudou pós-Renato

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Ao entrar em campo hoje em Brasília no segundo jogo das quartas de final, contra o Olímpia, às 19h15, o Flamengo tentará consolidar uma marca inédita na Libertadores. Jamais o clube passou por duas fases eliminatórias da competição sul-americana com tamanha facilidade, representada por sonoras goleadas, como na atual edição.

O Flamengo terá força máxima no ataque, mas desfalques na defesa contra o Olímpia. O artilheiro Gabigol retorna após cumprir suspensão no Brasileiro, mas o técnico Renato Gaúcho não terá Isla, poupado com cansaço muscular, Gustavo Henrique, afastado com Covid-19, e Rodrigo Caio, que segue em processo de recuperação de lesão grave.

A zaga será formada por Bruno Viana e Léo Pereira. E na lateral direita, o jovem Matheuzinho briga por nova oportunidade com Rodinei. Não está descartado que outros jogadores sejam poupados e comecem no banco de reservas.

A última vez que a equipe carioca enfileirou vitórias expressivas foi há 30 anos, nas oitavas de final de 1991. Na ocasião, venceu o Deportivo Táchira, da Venezuela, por 3 a 2 e 5 a 0, nos jogos de ida e volta. Desde então, a goleada mais expressiva veio com gosto amargo em seguida. Em 2008, a famosa eliminação para o América do México, de Salvador Cabañas, aconteceu após o Flamengo fazer 4 a 2 no México e perder por 3 a 0 no Maracanã.

Nem por este placar o Olímpia reverte o cenário desta vez, após levar 4 a 1 no Paraguai. Antes, o Flamengo sob o comando de Renato Gaúcho estreou no mata-mata com um 1 a 0 sofrido diante do Defensa y Justicia, na Argentina, mas se recuperou no Maracanã, com o mesmo 4 a 1. O novo treinador assumiu o time após a demissão de Rogério Ceni, que entregou o Flamengo classificado por antecipação na fase de grupos.

Com Renato, a equipe voltou a ter mais confiança para não apenas vencer, mas passar por cima dos adversários e saber lidar bem com a vantagem, administrando seu elenco para a conquista dos três títulos em disputa. Foi mais ou menos a estratégia que deu certo sob o comando de Jorge Jesus em 2019, quando a campanha na Libertadores ficou marcada pela goleada de 5 a 0 sobre o Grêmio do próprio Renato na semifinal.

Após a caminhada para o bicampeonato diante do River, o clube não conseguiu repetir o desempenho ano passado, quando caiu nas oitavas de final para o Racing, com dois empates e eliminação nos pênaltis.

No mata-mata da atual edição, entra em cena a boa relação do novo treinador com a comissão técnica do clube, que ganhou mais importância no trabalho de Renato Gaúcho.

Ela permite que o Flamengo dose mais o seu elenco e mantenha o ímpeto ofensivo na maior parte dos 90 minutos. O trabalho passa muito pelo perfil motivador de Renato, que não deixa que os atletas tirem o pé. Com ajustes táticos que deram mais liberdade aos jogadores de ataque, o resultado é uma equipe que procura a movimentação e torna o jogo mais dinâmico, mas correndo certo. O que causa menos desgaste ainda.

Por trás do campo e bola, o departamento médico analisa o nível de cansaço dos atletas antes, durante e depois das partidas, e tem entrado em cena para sacar jogadores desgastados sobretudo quando o placar está bem construído.

Tornou-se comum Renato fazer mexidas em atacado, tirando quase meio time, e renovando as energias sem que o Flamengo recue. A estratégia tem servido ainda para manter a confiança em alta de atletas considerados reservas.

O Departamento de Saúde e Alto Rendimento (Desar) entende que, pelo fato de o Renato não ter trazido um preparador, mostra que já veio abastecido de informações e confiando no trabalho feito no clube. Quando chegou no Flamengo, o técnico demonstrou que já sabia um pouco como funcionavam as metodologias. Isso ajudou no rápido entendimento do dia a dia da área de performance do futebol.

O auxiliar Alexandre Mendes, embora preparador físico por formação, não se intromete nas questões físicas e médicas diretamente. O foco é nas partes técnicas e principalmente táticas com o treinador. O resto é tratado diretamente entre Renato e o doutor Márcio Tannure. O técnico escuta muito o gerente de saúde e alto rendimento do futebol.

A comunicação direta ajuda. Com Jorge Jesus ocorria o mesmo. Apesar de uma comissão numerosa, os portugueses dialogavam bem. Além disso, o preparador Mário Monteiro comprou a ideia do Desar e estava alinhado em todos os processos. O mesmo aconteceu na época de Rogério Ceni, e de Danilo Augusto, preparador físico. Com o Dome, por outro lado, a comuicação entre comissões não fluiu, pois seus auxiliares não entendiam muito bem os processos e não passavam as informações da maneira mais correta para o técnico.

Por conta de sua experiência como técnico e jogador, Renato sabe que os atletas precisam estar bem para produzir o melhor. No caso do momento, Isla foi poupado apesar de o médico do Flamengo dizer que o jogador está bem clinicamente, mas com fadiga muscular. Com isso, ficou combinado que o atleta faria um programa de trabalhos específicos a fim de manter o ritmo intenso de treino, como se estivesse jogando, e fortalecer o que precisar.

A princípio, ideia de Renato era trazer o Isla pra Brasília e não colocar pra jogar. Tannure disse que seria pior para o atleta viajar e não jogar, que “perderia tempo” e "destreinaria". Renato entendeu, o jogador ficou no Rio e iniciou as atividades, sob comando de Roberto Oliveira e Rafael Winick, preparadores físicos do clube. Se tivesse viajado, ficaria o dia todo parado no hotel. Mas agora irá para o CT dar prosseguimento ao planejamento, que inclui ficar fora do compromisso de domingo também, para poder recuperar e ficar inteiro e à disposição na quarta, contra o Grêmio.

A troca tem sido tão interessante, e o técnico tem entendido tão bem a importância dos controles feitos pelo clube, que já começou a “cobrar”. Quando Thiago Maia e Gustavo Henrique testaram positivo pra Covid-19, Renato pediu que fosse feito um programa para cada um, pois temia que ficassem muito tempo parados. O departamento médico enviou aparelhos para a casa dos atletas e preparou uma planilha de treinos, que é comandado de maneira on-line por Rafael Winick.

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