Flamengo sacrificou o Brasileirão em nome da Copa do Brasil

Só o futebol brasileiro e seu calendário conseguem debilitar um Corinthians x Flamengo. O encontro das duas maiores torcidas do país deveria ser tratado como uma ocasião nobre e, aparentemente, a ideia era fazê-lo: foi a partida única do horário nobre do futebol num domingo. Mas se alguma prova ainda era necessária, ficou claro como, para explorar todo o seu potencial, uma futura liga brasileira precisará intervir além das fronteiras da competição.

Encravado entre decisões seguidas de torneios de mata-mata e num calendário lotado de jogos, com atletas levados ao limite físico, o jogo teve as escalações anunciadas à brasileira: primeiro os 11 que entram em campo; depois, as dezenas de machucados e poupados. Contra um Corinthians dizimado por lesões, jogou um Flamengo que priorizou o jogo com o Atlético-MG pela Copa do Brasil. Há uma rivalidade latente no duelo com os mineiros, é fato. Mas é notável como, aqui, o emocional e o racional formam uma balança difícil de equilibrar.

Numa rotina estafante e que impõe escolhas, a Copa do Brasil acena com uma premiação brutal e uma vaga na Libertadores, prêmio raro em outras partes do mundo. O que se soma a uma espécie de proteção de cargos e biografias, em que o importante é levantar alguma taça para prestar contas à arquibancada. Mesmo sacrificando o troféu mais importante.

Em teoria, clubes com alto poder econômico devem mirar as principais taças. Pois o Flamengo sacrificou o campeonato mais nobre, o Brasileirão, em nome do menos importante. Não é dizer que fez o certo ou o errado, apenas notar como o Brasil pratica uma lógica própria.

Para elencos robustos, os pontos corridos são uma espécie de terreno controlado, seguro, em que os recursos fartos tendem a garantir um lugar entre os primeiros. As copas, por outro lado, são sujeitas às contingências de uma noite infeliz. Quando se sacrifica o Brasileirão, uma eliminação em 180 minutos de um mata-mata pode arruinar a temporada inteira. Não é fracasso terminar um ano sem troféus, mas sim sem disputá-los. Na realidade brasileira, o grande fracasso esportivo para os endinheirados é não jogar a Libertadores, dada a fartura de vagas. Hoje, o Flamengo estaria fora dela pela via do Brasileirão. E as copas não oferecem qualquer garantia.

Com seu time mexido em Itaquera, o Flamengo perdeu um jogo em que não foi pior do que o Corinthians, diga-se. Mas expôs aspectos promissores e fragilidades do sistema que Dorival Júnior vem se inclinando a implantar. O losango de meio-campo teve, no domingo, Thiago Maia como primeiro volante, João Gomes e Victor Hugo como meias e Matheus França como vértice mais adiantado, na vaga que costuma ser de Arrascaeta. A formação gera aproximações, toques curtos e, quando o time tem os titulares, deixa Arrascaeta à vontade para se mover na direção da bola, gerando superioridade no centro do campo. Contra o Corinthians, várias vezes Victor Hugo e Matheus Cunha receberam às costas dos volantes rivais.

No entanto, o losango cria um desafio na hora de defender, por não ocupar toda a largura do campo. E o Corinthians, várias vezes, buscou inversões de lado para achar homens livres, ainda que não tenha produzido tanto no ataque. Para quarta-feira, contra o Atlético-MG, o time deverá ter a formação principal. Nela, Arrascaeta e os dois atacantes, que podem ser Gabigol e Pedro, vêm se desconectando do jogo quando o time perde a bola. E não é simples defender com sete jogadores: a linha de quatro defensores e os três meias, sendo um deles Everton Ribeiro.

As atenções se voltam para a decisão de quarta-feira, o novo domingo do futebol no Brasil.

Subindo

Em meio à tocante festa para Fred, o Fluminense venceu o Ceará. Não foi a versão mais brilhante do tricolor, mas teve os habituais momentos de bonito futebol do time de Fernando Diniz, dono de algumas das mais atraentes exibições no país em 2022. Em três rodadas, o Fluminense descontou sete pontos em relação ao Palmeiras. Mas a escassez do elenco e a incerteza após a saída de Luiz Henrique não dão garantias de disputa pelo título.

Dura travessia

Eram previsíveis as dificuldades do Botafogo na volta à Série A, em especial com um elenco sendo montado em meio ao Brasileiro. Para piorar, a quantidade de ausências por lesões, rotina na temporada nacional, tem sido brutal. Em Cuiabá, o sistema com três zagueiros diante de um rival sem um atacante fixo gerou inferioridade no meio-campo. Quando Luís Castro tentou redesenhar o time, foi punido com a expulsão de Hugo.

Tóxica

Os relatos de Hulk sobre sua conversa com Anderson Daronco indicam um tom de ameaça, quase de coação por parte do árbitro. É preciso apurar e, se possível, expor a versão do juiz e os áudios. Mas é também momento de rever a forma como profissionais do jogo e equipes de arbitragem se relacionam. Atletas e comissões técnicas parecem determinados a inviabilizar e desestabilizar os juízes. A relação é tóxica de parte a parte.

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