Flamengo vê resultados de Ceni incompatíveis, mas não falta de trabalho e empenho

Diogo Dantas
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Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

Mesmo bem avaliado por elenco e diretoria, Rogério Ceni sofre pressão externa e interna por não conseguir colocar em prática nos jogos as boas ideias apresentadas nos treinamentos. A diretoria do Flamengo atribui o mau momento também aos atletas, mas entende que o técnico precisa extrair deles o melhor. A cúpula do futebol, no e entanto, não vê falta de empenho.

Prestes a completar dois meses de trabalho, o ex-goleiro é cobrado pelos resultados depois de obter apenas 4 vitórias em 11 jogos. A derrota de virada para o Fluminense, no Maracanã, se tornou emblemática para os que criticam o treinador e também algumas peças do time atual. Que domina o adversário, mas não tem competência para fazer os gols e erra de forma grosseira na defesa desde a era Domènec Torrent.

Embora tenha sido o primeiro revés desde a eliminação na Libertadores, o tropeço veio em seguida à péssima apresentação diante do Fortaleza, antes da virada do ano. Apesar do viéis de baixa, a contratação de um quarto profissional para o cargo na temporada em curso ainda não é discutida internamente pelo Flamengo. Mas a gritaria nas redes e entre correntes políticas em ano de eleição já faz seu papel. Ninguém na Gávea aposta que nessa batida Ceni emplaque 2021.

Os números se impõem. Equipe que mais cria chances no Brasileiro, o Flamengo é também a terceira que mais entrega os jogos, atrás de Atlético-GO e Botafogo. Os dados são do Sofascore. Que contabiliza 16 falhas fatais da defesa rubro-negra. Como as de Filipe Luis no clássico. De acordo com o portal estatístico, o Flamengo é o líder disparado em chances criadas, com 98 tentativas até o momento. O que leva Ceni a concluir que o trabalho vai bem.

— Uma coisa é falta de repertório e a outra é a bola não entrar. Quando você finaliza 19 vezes não é falta de repertório. Finalizamos muitas bolas no gol. A bola entrar ou não é circunstancial — defendeu após o clássico.

No entendimento da direção, por outro lado, a bola não entrar é motivo para mais e melhores treinamentos, pois o percentual de conversão está “irreconhecível”. Ainda que Ceni use em média três horas diárias para aprimorar a parte técnica e tática. Os atletas compraram a filosofia e são dedicados. Só que o comportamento não se repete nos jogos.

A diretoria tenta entender ainda o que falta nesse sentido para corrigir a tempo de seguir na disputa pelo título brasileiro. Mas em termos de postura, há certo eco nas cobranças. O vice de futebol Marcos Braz é o único a exercer tal função e já está um pouco desgastado com o elenco. Funcionários remunerados, como diretores e supervisores, não têm voz no vestiário nesse sentido. Apenas incentivam.

São eles: o diretor Bruno Spindel, o supervisor Gabriel Skinner e o ex-zagueiro Juan, que segue no clube sem função específica. Fora do Centro de Treinamento, o Conselho do Futebol observa as movimentações também sem ter espaço para questionamentos. O presidente Rodolfo Landim, por sua vez, é figura rara no Ninho do Urubu e só entra em cena em último caso.

Após a derrota para o Fluminense, os dirigentes identificaram alguns atletas revoltados com o resultado, como Arrascaeta, Gerson e Éverton Ribeiro. Outros, um pouco blasé. Ceni, que chegou identificando lideranças e se aliando a elas, não fez qualquer discurso mais forte no vestiário. Sacar Gabigol para colocar Pedro também não foi uma substituição que todos concordaram no Flamengo. Mas não há atritos com o grupo até agora.

Sem torcida em meio à pandemia, o time ainda se notabiliza pela campanha abaixo da média como mandante. É a pior desde 2017. Nesse momento é o 7º colocado no Brasileiro. Foram sete vitórias, quatro empates e três derrotas no Maracanã. Nas últimas sete partidas no estádio, foram apenas três triunfos (Coritiba, Bahia e Santos), insuficientes na corrida para diminuir a diferença de pontos em relação ao líder São Paulo.

No período, a equipe empatou com Bragantino e Atlético-GO, além da derrota para o Fluminense nesta quarta e o revés para o próprio São Paulo, no dia 1º de novembro. Foram 25 pontos (de 42 possíveis) ganhos no Maracanã . No torneio o Fla é a segunda melhor equipe jogando fora de seus domínios. São 24 pontos em 13 jogos, um aproveitamento superior ao dos jogos em casa: 61,5% contra 59,5%. No domingo, o time recebe o Ceará.