Flamengo x Fluminense: Pedro pode alcançar o mesmo sucesso e os feitos de Fred? Compare números

Rafael Oliveira
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O Globo

Os dois são centroavantes e goleadores. Têm na finalização e no posicionamento dentro da área o seu grande diferencial. E, ainda que por um breve período de tempo, conviveram juntos no mesmo time. Mas, no Fla-Flu desta quarta, às 21h30, no Maracanã, Fred e Pedro estarão em lados opostos. Ainda que atravessem momentos distintos da carreira, a comparação é inevitável. A pergunta mais apropriada, contudo, é: será que o jovem rubro-negro pode alcançar o status e feitos que o capitão tricolor atingiu?

Aos 37 anos, Fred é ídolo no Fluminense, acumula artilharias, títulos e soma duas participações em Copas do Mundo (2006, na Alemanha, e 2014, no Brasil). As façanhas de Pedro são mais modestas, mas de acordo com um atacante de 23 anos. Ele já soma títulos e gols por Fluminense e Flamengo e batalha por um espaço na seleção.

Lado a lado, os números de Pedro e de Fred — quando este tinha a mesma idade do camisa 21 do Flamengo — permitem uma comparação melhor. Aos 23 anos, 6 meses e 17 dias, o rubro-negro contabiliza 52 gols em 140 jogos como profissional, uma média de 0,37 por partida. E já possui uma artilharia no currículo: a do Carioca de 2018, pelo Fluminense, quando tinha 20 anos. Com este feito, está registrado na história tricolor como o mais jovem goleador do clube em uma competição.

O tempo faz com que o começo de carreira de Fred escape da memória dos torcedores. Mas a verdade é que, com esta mesma idade, o hoje veterano impressionava ainda mais. À época no Lyon, o jogador já somava 120 gols em 207 partidas, o que lhe dava uma média de 0,52 por jogo. Embora não tenha erguido taças no Brasil, transferiu-se para o futebol francês tendo no currículo a artilharia do Mineiro e da Copa do Brasil de 2005, com 21 anos. Com estes números, natural que tenha chegado à seleção. E, aos 23 anos, já tinha disputado uma Copa do Mundo.

Lesão freia ascensão

É importante registrar, contudo, a grave lesão no joelho direito sofrida por Pedro em agosto de 2018, aos 21 anos. Um estiramento nos ligamentos obrigou o atleta a passar por uma cirurgia que o deixou fora de combate por oito meses. Tempo que lhe tomou ritmo de jogo e, principalmente, a confiança na região da contusão.

Até então, sua carreira ascendia numa velocidade que impressionava. Em 2015, então com 18, Pedro foi campeão brasileiro sub-20 pelo Fluminense. No ano seguinte, estreou pelos profissionais (ainda com 18, contra os 19 de Fred em seu primeiro jogo) e ainda terminou a temporada como artilheiro da base do país, com 32 gols. Curiosamente, foi neste ano que os dois conviveram por alguns meses nas Laranjeiras (o camisa 9 deixou o clube em junho daquele ano).

— Gosto muito dele como pessoa. Depois dos treinos, eu ia na casa dele jogar videogame. E ganhava (risos) — comentou Pedro, em 2018, após ganhar elogios públicos de Fred, na época já no Cruzeiro. — Ele é um ídolo meu, da torcida tricolor e do futebol brasileiro.

Hoje, Pedro dá todos os indícios de ter, enfim, recuperado a confiança e o bom futebol dos tempos pré-lesão. A torcida do Flamengo que o diga. São 21 gols marcados na atual temporada, sendo 15 deles nos últimos quatro meses. Ele é o artilheiro da equipe, com um a mais do que Gabigol.

Seguir em ascensão e equiparar-se a Fred, aliás, passa pela concorrência com atual camisa 9 do Flamengo. Pedro aproveitou o período em que ele esteve ausente por lesão e virou uma sombra do titular. Mas para deslanchar na carreira é preciso ser mais que isso. Hoje, por exemplo, Gabigol está de volta ao time após cumprir suspensão. E Pedro retorna ao banco. Como ocorre normalmente, é provável que entre ao longo do jogo.

As metas do veterano

Já Fred não quer ser apenas uma referência para os mais jovens. O atacante, que tem contrato com o Fluminense até o meio de 2022 e não sabe se seguirá a carreira depois disso, ainda tem suas próprias metas para alcançar. Se não precisa mais provar seu talento para ninguém, quer perpetuar o nome na história.

Com 150 gols no Brasileiro (todos marcados na era dos pontos corridos, da qual é artilheiro isolado), o centroavante sonha chegar ao segundo lugar na lista dos maiores goleadores da história da competição. Uma ambição factível. Hoje em quarto, ele está a apenas quatro de se igualar a Romário, que ocupa este posto. Assim, ficaria atrás apenas de Roberto Dinamite (190).

No Fluminense, o camisa 9 também tem degraus a subir. Hoje em terceiro na lista dos maiores goleadores da história do clube, com 175, está muito perto de avançar mais uma posição e ultrapassar Orlando Pingo de Ouro, que entre 1945 e 1953 marcou 184 vezes. O primeiro é Waldo, com 319.

Além de atingir estas marcas pessoais, também sonha em ajudar a levar o Fluminense de volta à Libertadores, o que não ocorre desde 2013. Seria um último feito antes da aposentadoria.

— Se não me engano, são oito anos que a gente não vai. É um objetivo palpável, é possível. É o maior objetivo que tenho aqui hoje. Posso contribuir com os gols também, é o meu papel. Se acontecer esses gols, e eu me aproximar mais dos artilheiros... Não tenho essa motivação, mas vai ser bom porque posso ajudar o Fluminense e vai ser bom para todos os lados — comentou o atacante.