Será que temos que pedir desculpas por suspeitar de Flávio Bolsonaro?

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    Político brasileiro, Senador da República pelo Estado do Rio de Janeiro
Brazilian Senator Flavio Bolsonaro reacts during a session to vote on the pension reform bill at the Federal Senate in Brasilia, Brazil, October 1, 2019. REUTERS/Adriano Machado
O senador Flavio Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters

Nós, latino americanos sem dinheiro no banco e sem parentes importantes, devemos desculpas ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Em entrevista ao jornal O Globo, o filho 01 do presidente tratou de eliminar qualquer dúvida que ainda pairava sobre sua conduta nos tempos de deputado estadual no Rio.

Por causa da #ImprensaLixo, eu mesmo cheguei a acreditar que poderia haver qualquer maracutaia no caso das “rachadinhas”, como os mal intencionados chamam o saudável hábito de recolher parte dos salários de funcionários públicos de seu gabinete e colocar no bolso.

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A desconfiança se explicava porque Fabrício Queiroz, assessor que recolhia o dinheiro e saía depositando por aí, era quem pagava despesas pessoais, como escolas e plano de saúde, para o hoje senador. “Querer vincular isso a alguma espécie de esquema que eu tenha com o Queiroz é como criminalizar qualquer secretário que vá pagar a conta de um patrão no banco”.

Verdade, Flávio. Que cabeça a nossa! É que a gente tinha pensado que o Queiroz era secretário do gabinete, um servidor do estado, e não das contas particulares do patrão. Desculpa aí o mal entendido.

Na entrevista, Flávio conta que construiu seu patrimônio trabalhando muito e gastando pouco nos tempos em que ainda morava com a mãe, que por sua vez, era proprietária de 14 imóveis, cinco deles comprados em cash e muito suor.

O sucesso no Brasil é crime, Flávio A riqueza, também.

Acossado pelas más línguas, o senador justificou, de forma convincente e patriótica, o depósito para ele feito por um policial militar para quitar um boleto do apartamento comprado por sua mulher. “É a maior injustiça”, lamentou.

O que aconteceu, explicou o 01, é que eles estavam num evento comemorando a sua eleição, lembraram que a conta estava para vencer e, para não sair da festa e ir até o banco pagar a própria conta, o amigo ofereceu a opção de depositar para ele via aplicativo. “Depois você me dá o dinheiro”, disse o policial.

Imagina! Quem, no meio de uma celebração, nunca se lembrou de uma pendência bancária nem recebeu dos amigos a proposta para pagar um boleto? O que a #ImprensaLixo chama de maracutaia o brasileiro de bem chama de amizade pura e verdadeira. (Se você não tem amigo para essas horas, isso não é, literalmente, sua conta)

Tanta desconfiança em torno do senador vem da vergonha de um rapaz tímido, como ele, se assumir bancofóbico, como são conhecidos os homens de bem que têm medo de entrar no banco por alergia do ar condicionado, dos ambientes fechados e das conversas moles dos gerentes.

Reparem que toda a desconfiança sobre o senador surge de sua mania de terceirizar serviços bancários. Mas o caso dele é de saúde, não de polícia. Quem não tem um bancofóbico na família não sabe o que é ter parente.

Flávio se queixou, com razão, da forma policialesca com que são tratadas as suas virtudes como empreendedor. O nome disso é inveja. Sujeito não pode movimentar atipicamente, com sua franquia na fantástica loja de chocolates, mais dinheiro do que as outras filiais que a patrulha do olho gordo já vêm com binóculos cobiçar o lucro alheio em dinheiro vivo.

Para o entrevistado, é desproporcional o que o MP quer fazer com ele pelo simples fato de ele ser filho do presidente. Não fosse este detalhe, afirmou, o caso já teria sido arquivado pelo princípio da insignificância num país onde se prende e se morre na cadeia por 10g de maconha.

Só mesmo quem não tem parente político pode ousar saber o que se passa na vida oprimida dos filhos de gente graúda, importante e influente.

O 01 admitiu que talvez, só talvez, “tenha sido um pouco relaxado” por não acompanhar de perto as andanças de Queiroz, hoje em prisão domiciliar. Mas quem iria desconfiar de um assessor tão aplicado?

Hoje em dia o funcionário não pode nem ter conexões com a milícia nem planejar a fuga com parentes de bandido foragido, morto por acaso em troca de tiros com a polícia, que todo mundo NOOOOOOSSSA QUE ABSURDO. O que tem de mais?

E o que é que tem esse assessor desaparecido, com problemas de saúde, ficar na casa de um advogado, que também já teve problemas de saúde, só porque o advogado trabalhava para a família presidencial? Cadê o espírito de solidariedade de quem se diz progressista e defensor dos direitos humanos? Enfim, a hipocrisia.

Flávio, cuja família foi eleita fazendo loas à Lava Jato e prometendo reforçar o time com Sergio Moro, estrela maior do mito do combate à corrupção, afirma agora que algumas pessoas da força-tarefa têm interesses político e financeiro. Isso, claro, só ficou evidente depois de 2018.

O primeiro filho diz que o pai presidente é quem decide quando trocar o comando da Polícia Federal, a mesma Polícia Federal que avançava nas investigações sobre pessoas próximas e aliados da família do presidente. Quem não faria o mesmo pelos filhos?

O próprio Queiroz fazia alusão a picas e cometas que seriam enterrados neles caso ninguém tomasse providências. Alguém matou no peito e ele agora está em casa, com a companheira então foragida, e com chances reduzidas de fazer qualquer delação.

Delação boa era delação contra adversários.

Isso não faz mais sentido agora que a corrupção no Brasil acabou.

Está certo que alguns desses adversários que não ficariam na roda se alguém gritasse ladrão foram convertidos em aliados agora que a palavra impeachment passou a rondar o Planalto. E eles já indicam figurões para órgãos de orçamento graúdo na máquina pública.

Maldosos dirão que se trata de toma-lá-dá-cá, quando todo mundo sabe, e Flávio precisa dedicar seu tempo para explicar, que só se configura toma-lá-dá-cá quando o aliado ocupa a cabeça do ministério, e não órgãos escondidos em sua estrutura. Precisa desenhar?

Não sei vocês, mas agora tudo parece explicado.

Flávio deveria ir até os críticos e pedir retratação, como fez o rapper Dexter com um detrator em um vídeo que viralizou na semana passada.

O Brasil deve desculpas por jogar feiura nas ideias sobre Flávio Bolsonaro e sua caminhada linda e elegante.

Falta convencer a polícia, o Ministério Público e a Velhinha de Taubaté, a personagem de Luis Fernando Veríssimo que ficou famosa por ser "a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo”.

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