Flávio Bolsonaro homenageou milicianos suspeitos e empregou parentes em gabinete

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Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM, na chegada à Polícia Civi. Ele foi homenageado em março de 2004. (Foto: José Lucena/Futura Press)
Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM, na chegada à Polícia Civi. Ele foi homenageado em março de 2004. (Foto: José Lucena/Futura Press)

Os dois principais alvos da Operação Intocáveis e suspeitos de integrarem a milícia de Rio das Pedras, o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Adriano Magalhães da Nóbrega e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, foram homenageados, em 2003 e 2004, na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) por indicação do ex-deputado estadual, agora senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL). As informações são do jornal O Globo.

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Além disso, o gabinete de Flávio na Alerj empregou a mãe e a mulher, até novembro do ano passado, do ex-capitão do Bope, que ainda não foi encontrado pela polícia para cumprimento de mandado na operação.

Adriano foi alvo de duas honrarias, de louvor e congratulações por serviços prestados à corporação.

A primeira foi uma moção, em outubro de 2003, por comandar um patrulhamento tático-móvel, quando estava no 16º BPM (Olaria). Flávio Bolsonaro justificou o ato: “no decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranquilidade para a sociedade (…). Imbuído de espírito comunitário, o que sempre pautou sua vida profissional, atua no cumprimento do seu dever de policial militar no atendimento ao cidadão”.

Na segunda, em agosto de 2005, Adriano recebeu a medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj, também com elogios à carreira do então militar. Ex-integrante do Bope, Adriano se formou no curso de operações especiais da PM em 2000. Ele foi preso na operação “Dedo de Deus”, de 2011, desencadeada para combater o jogo do bicho no Rio. À época, era capitão da PM.

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Em março de 2004, foi o major Ronald Paulo Alves Pereira, então capitão, que também recebeu uma homenagem por meio de uma moção honrosa proposta por Flávio de congratulações pelos serviços prestados. Ele teria se destacado em uma operação realizada no Conjunto Esperança, no Complexo da Maré, de acordo com o jornal O Globo.

O major recebeu a homenagem menos de um ano depois de estar sendo investigado como um dos autores da chacina de cinco jovens na antiga boate Via Show, em São João de Meriti, em 6 de dezembro de 2003.

Quatro policiais já foram condenados pelos quatro homicídios de jovens que foram sequestrados pelos agentes da casa de show. O único agente que ainda responde pelo crime é o oficial, que conseguiu postergar seu julgamento até hoje. O júri de Ronald está marcado para abril.

FAMILIARES NO GABINETE

Até novembro de 2018, o gabinete de Flávio na Alerj empregava a mãe e a mulher do ex-capitão do Bope. Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, mulher do ex-capitão, tinham o cargo CCDAL-5, com salários de R$ 6.490,35. Segundo o Diário Oficial do Estado, ambas foram exoneradas a pedido no dia 13 de novembro de 2018, conforme apurou o jornal O Globo.

Adriano é amigo de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e investigado sob suspeita de recolher parte dos salários de funcionários do político. Teria sido Queiroz – amigo também do presidente Jair Bolsonaro desde os anos 1980 – o responsável pelas indicações dos familiares de Adriano.

Raimunda é uma das servidoras do gabinete que fizeram repasses para a conta de Queiroz, investigado pelo Ministério Público do Rio. A ex-assessora, 68, repassou R$ 4,6 mil para a conta do policial militar. O relatório do Coaf aponta mais uma possível ligação entre Queiroz e Adriano.

Segundo dados da Receita Federal, Raimunda é sócia de um restaurante localizado na Rua Aristides Lobo, no Rio Comprido. O estabelecimento fica em frente à agência 5663 do Banco Itaú, na qual foi registrada a maior parte dos depósitos em dinheiro vivo feitos na conta de Fabrício Queiroz. Na agência foram realizados 17 depósitos não identificados, em dinheiro vivo, que somam R$ 91.796 – 42% de todo o valor depositado em espécie nas transações discriminadas pelo Coaf, segundo um cruzamento de dados feito pelo Globo.

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