Flávio Bolsonaro irrita presidente da CPI da Covid e leva bronca: 'Depoente não precisa de babá'

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Senator Flavio Bolsonaro, son of Brazilian President Jair Bolsonaro, gestures during the launching of the Brazilian Waters Program in celebration of International Water Day at Planalto Palace in Brasilia, on March 22, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
O episódio irritou o presidente Omar Aziz (PSD-AM), que solicitava à depoente que fosse mais objetiva nas respostas sobre o tratamento precoce, introduzido como política pública no Ministério da Saúde durante a pandemia (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) interrompeu o depoimento de Mayra Pinheiro, secretária de gestão do trabalho do Ministério da Saúde, conhecida como Capitã Cloroquina

  • O episódio irritou o presidente Omar Aziz (PSD-AM), que solicitava à depoente que fosse mais objetiva nas respostas sobre o tratamento precoce

  • Durante a pandemia, Bolsonaro vem defendendo fortemente o uso dos medicamentos do "tratamento precoce", sem eficácia contra a Covid-19, disponibilizados no chamado "kit Covid"

Apesar de não ser membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) interrompeu o depoimento de Mayra Pinheiro, secretária de gestão do trabalho do Ministério da Saúde, conhecida como Capitã Cloroquina, na sessão desta terça-feira (25).

O episódio irritou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), que solicitava à depoente que fosse mais objetiva nas respostas sobre o tratamento precoce, introduzido como política pública no Ministério da Saúde durante a pandemia.

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"Presidente, se ela puder responder", interrompeu Flávio. "Eu vou cortar o som, porque, por favor, não vai ter brincadeira aqui. Ela é uma adulta, profissional da saúde, não precisa de babá para responder as perguntas", rebateu Aziz.

Em seguida, Flávio acusou que Mayra "está sendo ameaçada". Aziz prontamente indagou: "Quem está ameaçando ela?". O filho "01" de Bolsonaro continuou retrucando o presidente da CPI. 

Por fim, Aziz concluiu: "Eu creio que, apesar dos senadores estudarem muito essa matéria sobre cloroquina e tratamento precoce, ela sabe muito mais do que qualquer um de vocês que estão sentados aí. Ela não precisa recorrer a ninguém para dar as respostas".

A Capitã Cloroquina respondia aos questionamentos do relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre as indicações de um coquetel de medicamentos sem eficácia comprovada em casos de Covid-19, que ficou conhecido como "tratamento precoce".

"Como ele [o tratamento precoce] foi introduzido como política publica no Ministério da Saúde? Em quais pesquisas você se baseou pra usar cloroquina, hidroxicloroquina e outros?", perguntou Calheiros.

"Tratamento precoce, falar nele falando unicamente da Covid, é difícil. É um tratamento que todos os médicos oferecem aos seus doentes", iniciou Mayra antes de ser interrompida.

Tratamento precoce e "kit Covid"

Durante a pandemia, Bolsonaro vem defendendo fortemente o uso dos medicamentos do "tratamento precoce", sem eficácia contra a Covid-19, disponibilizados no chamado "kit Covid".

No entanto, o uso de cloroquina, azitromicina e ivermectina, ineficazes contra a Covid, tem gerado problemas em pacientes. Por causa das drogas, pacientes esperam na fila de transplante de fígado pelo uso dos remédios que compõe o “kit covid”. Médicos relatam pessoas morreram com hepatite causada pelos medicamentos.

Brazilian Senators Omar Aziz (L) and Renan Calheiros (R), respectively chairman and rapporteur of the Parliamentary Inquiry Commission that will investigate the government's handling of the coronavirus COVID-19 pandemic, are seen during a session in Brasilia on May 18, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.

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