Flavio merece 'troféu de burrice' por censura, avalia campanha de Bolsonaro

Flavio Bolsonaro entrou com pedido na Justiça para censurar matéria do Uol (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Flavio Bolsonaro entrou com pedido na Justiça para censurar matéria do Uol (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Assessores de Jair Bolsonaro (PL) entendem que foi um tiro no pé o pedido de Flavio Bolsonaro, filho 01 do presidente, para censurar a reportagem do Uol que mostrou que metade do patrimônio da família em imóveis foi comprado com dinheiro vivo. A informação é da colunista Monica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

Pessoas que cuidam da campanha de reeleição de Bolsonaro entendem que a decisão pode ter reflexos negativos na corrida eleitoral.

Segundo a Folha, um assessor de Jair Bolsonaro disse que Flávio merecia “um troféu burrice”, porque a decisão determina a censura, que vai de encontro a um dos principais pilares do presidente: a liberdade de expressão irrestrita.

Na avaliação da mesma pessoa, revela Monica Bergamo, fica ainda pior, pois acontece a apenas oito dias do primeiro turno. Segundo as pesquisas eleitorais, Lula (PT) abriu distância considerável de Bolsonaro e poderia até mesmo vencer no primeiro turno.

A revelação de que metade dos imóveis da família foi paga em dinheiro vivo tem sido usada com frequência pelos adversários de Bolsonaro. Agora, entendem aliados do presidente, a repercussão tende a ficar ainda maior. Isso poderia gerar rejeição ainda maior.

A decisão

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios ordenou que o site de notícias UOL tire do ar reportagens e matérias a respeito de 51 imóveis da família do presidente Jair Bolsonaro (PL). O motivo seria por uso de informações sigilosas na apuração do portal, além de base de investigações anuladas.

No fim de agosto, o portal revelou que quase metade do patrimônio em imóveis do presidente e de seus familiares mais próximos foi construída nos últimos 30 anos com uso de dinheiro em espécie.

Desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

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