Flexibilização em SP contraria especialistas, e Doria dissolve Centro de Contingência

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*SÃO PAULO, SP, 17.08.2021 - METRÔ-SP: O governador João Doria, o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy e o prefeito Ricardo Nunes, participam nesta terça-feira, da descida da roda de corte no Canteiro de Obras da VSE Tietê da Linha 6-Laranja. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*SÃO PAULO, SP, 17.08.2021 - METRÔ-SP: O governador João Doria, o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy e o prefeito Ricardo Nunes, participam nesta terça-feira, da descida da roda de corte no Canteiro de Obras da VSE Tietê da Linha 6-Laranja. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador João Doria (PSDB) anunciou a dissolução do Centro de Contingência do coronavírus após manter as medidas de flexibilização no estado mesmo sem consenso entre os especialistas do grupo. No lugar da estrutura existente desde o começo de 2020, ele criará um comitê com menos membros.

Formado logo no início da pandemia, o grupo com 21 integrantes foi avisado na sexta-feira (13) sobre a reformulação. A partir de agora, o novo comitê passará a ter apenas 7 integrantes.

A mudança não pegou os especialistas de surpresa, já que, desde o fim do ano passado, muitas das decisões do governador não seguiam as recomendações e avaliações feitas pelo grupo sobre o quadro epidemiológico no estado.

A discordância, inclusive, ocorreu com a decisão de Doria de pôr fim a todas as restrições de horário e ocupação ao comércio e serviços em São Paulo a partir desta terça (17).

O governador não mencionou as divergências como motivo para redução do grupo, mas afirmou que o momento da pandemia no estado não exige mais orientação de tantos especialistas. "Não há mais necessidade de manter uma estrutura com tamanho tão expressivo", disse nesta terça.

A maioria dos integrantes aconselhou o governador a adiar as medidas ao menos até que 80% da população adulta do estado estivesse vacinada com as duas doses da vacina, o que deve ocorrer até o fim do ano.

Os especialistas defendem que, com o aumento da presença da variante delta no estado, é precipitado adotar medidas tão radicais de relaxamento. Para eles, a flexibilização deveria ocorrer de maneira gradual, como foi feito no estado em outros momentos durante a pandemia, para avaliar o impacto de cada medida no aumento da transmissão.

“A abertura nesse momento é muito prematura. A variante delta está avançando, e vimos o que ela causou em outros países. Nós alertamos que a vacina não protege 100% contra a delta, ainda mais com a maior parte da população só com uma dose”, diz o infectologista Marcos Boulos, que integrava o grupo agora dissolvido.

Mais transmissível e com escape imunológico, a variante viral levou outros países, como Estados Unidos e Israel, a retroceder no relaxamento das regras após o aumento de casos.

Além disso, estudos mostram que uma única dose de qualquer imunizante fornece pouca proteção contra a delta. Em São Paulo, só 28,6% da população adulta está completamente vacinada.

“Não foi uma dissolução litigiosa, mas, evidentemente, nossa preocupação com a delta não está na mesma frequência que a tendência de abertura do governo. A revisão, nesse caso, é natural”, diz o infectologista Carlos Magno Fortaleza, que foi integrante do centro.

Há semanas, Doria mantem a defesa de que o relaxamento das medidas é seguro já que estão mantidas a obrigatoriedade de duas medidas no estado: o distanciamento de 1 m e o uso de máscara de proteção facial.

No entanto, como é fácil constatar nas ruas e estabelecimentos da capital paulista, tanto o distanciamento como o uso de máscara não são adotados por toda a população.

Os especialistas do centro insistiram na manutenção de algumas regras, como limite de horário de funcionamento para bares e a continuidade de proibição de festas, por entenderem que o uso da máscara é quase inexistente nessas situações.

Apesar das recomendações, o governador insistiu em manter o plano de abertura a partir desta terça.

O centro de contingência sempre teve caráter consultivo, ou seja, o governo não é obrigado a seguir suas recomendações. Apesar da prerrogativa para a tomada de decisões contrárias à orientação dos especialistas, Doria, até mesmo para se contrapor ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sempre afirmou seguir a ciência.

O anúncio de que o Centro de Contingência passará a ser um comitê foi feito na manhã desta terça pelo governador. “Amanhã [quarta] vamos anunciar os 7 nomes do comitê científico. Eram 21”.

Em nota, o governo de São Paulo informou que a redução do grupo ocorre "frente à queda de casos, internações e mortes pela doença" no estado.

Os sete nomes que serão anunciados já compõem o centro de contingência, acrescentou o governador, afirmando que não acrescentará nenhum nome novo ao grupo.

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